Mais de 300 jovens da província de Nampula já foram detidos desde 2019, suspeitos de serem recrutados por insurgentes de Cabo Delgado. A polícia aponta a província mais populosa de Moçambique como um dos maiores centros de recrutamento de jovens para incorporar as fileiras dos insurgentes.

Somente do final de fevereiro a março, a polícia deteve 77 jovens em grupos que supostamente seguiriam a Cabo Delgado por motivos considerados "estranhos", que despertaram a suspeita das autoridades.

No último sábado, o comandante Provincial da Polícia de Moçambique em Nampula, Moisés Gueve, apresentou um grupo dos jovens supostamente recrutados e que teriam invocado várias razões para se deslocarem a Cabo Delgado.

"Temos o grupo que vem de Eráti, eles foram encontrados quando seguiam para Cabo Delgado, para garimpar. Temos um grupo de 25 que tentava ir a Cabo Delgado para a prática da atividade de garimpo e comercialização. E tínhamos o grupo que vinha do Niassa [do distrito vizinho de Cuamba] para ir fazer um estudo bíblico [na igreja Arco Íris, em Cabo Delgado]", disse Gueve.

Jovens negam envolvimento

Os indiciados negam qualquer envolvimento no suposto recrutamento. Os suspeitos foram detidos para averiguação e depois postos em liberdade. Os jovens começaram, entretanto, a regressar às suas residências com a proteção de agentes da polícia.

O secretário do Estado da província de Nampula, Mety Gondola, aconselhou os jovens a distanciarem-se de tudo o que está ligado aos ataques em Cabo Delgado e alertou para as duras sanções de que as pessoas que aderirem à insurgência podem ser alvo.

"Aquele que for encontrado numa segunda via já sabe qual é a sorte que vai ter. Não vai ser tratado desta forma que estão a ser tratados. Atenção à reincidência! Está a se abrir um espaço para que regressemos às nossas casas, mas não nos juntemos mais a movimentos estranhos. Levem essa mensagem aos vossos familiares, vizinhos e amigos. Cuidado! Não se exponham nesses movimentos", disse.

A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados, que organizações internacionais classificam como "ameaça terrorista" e que, em dois anos e meio, já fizeram, pelo menos 350 mortos.

Estima-se que mais de 156 mil pessoas foram afetadas, com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

por: Sitoi Lutxeque (Nampula)

 

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