“É preciso que nos comuniquemos mais com os nossos colegas [países vizinhos] para que eles percebam o `modus operandi´ [destes grupos]”, disse Filipe Nyusi, após uma reunião da ‘troika’ do órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC, na quarta-feira em Harare, capital do Zimbabué, citado hoje pela Televisão de Moçambique.

O encontro juntou os Presidentes Emmerson Mnangagwa (Zimbabué, que lidera o órgão), Mokgweetsi Masisi (Botsuana, vice-presidente) e Edgar Lungu (Zâmbia, líder cessante), além do chefe de Estado moçambicano.

Para Filipe Nyusi, a violência armada em Cabo Delgado é um problema que já afetou outros países da região, o que justifica o envolvimento de todos no combate a estes grupos.

“Este problema começou lá de cima [mais a norte da África Oriental], passou para o Quénia, esteve na Tanzânia e chegou a Moçambique. Então, é necessário que com alguma antecipação partilhemos experiências e realidades”, frisou o chefe de Estado moçambicano.

No final do encontro, a ‘troika’ do órgão de Política, Defesa e Segurança da comunidade sub-regional “comprometeu-se e instou os Estados-membros da SADC a apoiar o Governo de Moçambique na luta contra os grupos terroristas e armados que atuam em alguns distritos de Cabo Delgado”, lê-se numa nota emitida após a reunião.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos para a extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista desde outubro de 2017, incursões que já provocaram a morte de, pelo menos, 550 pessoas neste período.

As autoridades moçambicanas contabilizam um total de 162 mil pessoas afetadas pela violência armada.

No final de março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança.

Na ocasião, num vídeo distribuído na Internet, um alegado militante ‘jihadista’ justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

Foi a primeira mensagem divulgada por supostos autores dos ataques que ocorrem desde outubro de 2017 na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

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