Do total de 5.067 pessoas deslocadas, que estão em sete distritos da província de Nampula, quase metade (2.284) são crianças e, dos restantes, a maioria são mulheres, disse ontem Alberto Armando, delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) em Nampula.

"[Grande parte] dos homens veio para aqui para deixar as suas mulheres e filhos, e voltou para Cabo Delgado, alegando que tem de cuidar de alguns bens", acrescentou.

A fonte falava durante uma reunião com o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, que visitou hoje o posto administrativo de Namialo, onde se concentra o maior número de deslocados em Nampula, província vizinha de Cabo Delgado.

Segundo as autoridades, o pico de entrada dos deslocados registou-se em abril, tendo-se iniciado em finais de março, período em que foram registados vários ataques a sedes de distritos importantes do norte da província de Cabo Delgado.

A província, onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataque desde outubro de 2017 por insurgentes, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

Em dois anos e meio de conflito naquela província do Norte de Moçambique, estima-se que já tenham morrido, pelo menos, 600 pessoas e que cerca de 200 mil já tenham sido afetadas, sendo obrigadas a procurar refúgio em lugares mais seguros.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou hoje o desmantelamento de uma "base de fornecimento logístico" dos grupos armados em Cabo Delgado.

Durante a operação, as Forças de Defesa e Segurança neutralizaram um número não divulgado de insurgentes e apreenderam vários bens usados durante as suas incursões, disse à Lusa fonte da corporação, sem avançar mais detalhes.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.