"Estamos pelo diálogo, mas aqueles que matam os moçambicanos, [esses] continuaremos a persegui-los em todos os cantos do nosso país com vista a responsabilizá-los pelos crimes que cometem contra o Estado moçambicano", referiu, durante as cerimónias, em Maputo.

Nyusi lamentou que "os moçambicanos [sejam] afetados com atos hediondos na província de Cabo Delgado", por "malfeitores financiados por forças internas e externas", sublinhou, sem detalhar.

"Eles estão a assassinar as populações, destroem habitações e outras infraestruturas", acrescentou, quatro dias depois de uma vaga de ataques que varreu aldeias do sul da província.

Por outro lado, depois do acordo de paz celebrado em agosto entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o chefe de Estado lamenta também observar "ataques perpetrados por moçambicanos que dizem ser dissidentes da Renamo e que reclamam vantagens internas no seio daquela organização, optando por atacar populações inocentes".

Em ambos os casos, Nyusi prometeu perseguição e responsabilização dos autores, algo até agora por alcançar pelas forças de defesa e segurança, que ainda não conseguiram travar as ondas de violência.

A Norte, estima-se que já tenham morrido, pelo menos, entre 350 e 400 pessoas, com cerca de 60.000 pessoas afetadas - perdendo bens ou refugiando-se noutros locais - nos últimos dois anos e meio.

No Centro, já morreram desde agosto 21 pessoas nas principais estradas da região e nalgumas aldeias.

Os ataques centraram a intervenção presidencial no Dia dos Heróis Moçambicanos, em que Nyusi destacou um deles, Eduardo Mondlane, "arquiteto" da independência e unidade nacional, que completaria 100 anos em 20 de junho de 2020.

Ouvido pelos jornalistas à margem da cerimónia, Jaime Bessa Neto, ministro da Defesa, voltou hoje a pedir o apoio da população de Cabo Delgado para denunciar os grupos que desde 2017 atacam a região.

"Grande parte deve estar a viver dentro das casas onde os cidadãos de Cabo Delgado residem. É importante que os denunciem", referiu.

Armando Guebuza, ex-Presidente moçambicano, lamentou que a paz ainda não esteja alcançada, frutos dos ataques contra civis que prevalecem.

"Infelizmente, ainda não estamos em paz e a reconciliação não está feita nos termos em que gostaríamos que fosse", disse, considerando, ainda assim, que é possível conquistar ambas como meios que permitam "avançar para o desenvolvimento", concluiu.

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