"As últimas batalhas foram enormes, foram muito produtivas. Temos informações de terem sido abatidos quadros superiores dessa força que podemos considerar que são a liderança, mas sobre isso as FDS irão em momento próprio confirmar", referiu ontem em declarações à Televisão de Moçambique (TVM).

Nyusi falava na vila de Mueda, distrito de Cabo Delgado (distrito onde nasceu), para onde se deslocou para uma reunião com diversas patentes militares, os ministros da Defesa e Interior.

O local foi o escolhido para analisar a situação na província, depois de grupos armados classificados como terroristas e de afiliação ao movimento 'jihadista' Estado Islâmico terem atacado desde quinta-feira Macomia, a principal vila do centro da província.

O ataque aconteceu depois de uma intensificação dos ataques desde março e que levou à ocupação de outras vilas como Mocímboa da Praia, Quissanga e Muidumbe, com relatos de dezenas de mortes entre civis, insurgentes e militares.

"Primeiro, o esforço [das autoridades] sempre é compreender quem é o inimigo e como está a operar" além de aferir da situação da população e forças no terreno, referiu Nyusi.

Dos vários encontros que já manteve em Cabo Delgado desde sexta-feira, o chefe de Estado disse ter ficado claro que "a moral das FDS está boa".

"Estamos a aprender como lidar com essa força e estamos a encorajar [a maneira] como as FDS estão a abordá-la", concluiu.

Segundo referiu à Lusa uma fonte em contacto com residentes em Macomia, o grupo armado que desde quinta-feira ataca a vila parecia estar hoje a preparar uma retirada, carregando viaturas com o saque de estabelecimentos comerciais.

Quase toda a população da localidade fugiu para o mato, mas há quem vá arriscando voltar à vila procurar mantimentos.

Macomia é o principal ponto de encontro a meio da estrada asfaltada que liga o norte ao sul da província, tem uma agência bancária, vários serviços, estabelecimentos comerciais e é sede de um distrito com cerca de 100 mil habitantes.

Cabo Delgado, província onde avança o maior investimento privado de África para exploração de gás natural, está sob ataques de grupos armados rebeldes desde outubro de 2017, classificados desde o início do ano pelas autoridades moçambicanas e internacionais como uma ameaça terrorista.

Desde há um ano o grupo ‘jihadista' Estado Islâmico passou a reivindicar alguns dos ataques.

Em dois anos e meio de conflito estima-se que já tenham morrido, no mínimo, 550 pessoas e que cerca de 200 mil já tenham sido afetadas, sendo obrigadas a refugiar-se em lugares mais seguros, perdendo casa, hortas e outros bens.

O Governo moçambicano tem relatado algumas respostas pelas FDS contra os grupos armados, reiterando que está a reprimir a violência, mas a invasão e ocupação de povoações têm-se intensificado desde o início do ano.

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