Para os analistas Calton Cadeado e Simão Nhambi, o facto de estes ataques não terem rosto dos seus autores adensa a preocupação e coloca em risco a paz.

“É que de um tempo para cá está a ficar ‘moda’ esta coisa de fazer ataques e não dar a cara, não reivindicar, deixar a população, as instituições do Estado na dúvida sobre a autoria e responsabilidade destes ataques”, diz o professor universitário Calton Cadeado.

Para este especialista de relações internacionais e resolução de conflitos “a Polícia no caso da região centro diz que há uma clara indicação de que os homens da RENAMO estão por detrás disto, mas não aparece ninguém do lado da Renamo, quer da ala política, quer da ala militar, a reivindicar estes ataques”.

O facto de o processo de Desmobilização, Desarmamento e Integração dos homens armados da Renamo ter registado uma descontinuidade devido ao surgimento da junta militar liderada por Mariano Nhongo é outra preocupação.

“Há fortes suspeitas que sejam estes homens a protagonizar os ataques, pois temos que perceber que pessoas confinadas num quartel” provavelmente sem meios suficientes para a sobrevivência podem saquear bens da população, comenta o analista Simão Nambi.

Por outro lado, continua Nhambi, “já vimos constantes reivindicações e busca de protagonismo que Mariano Nhongo procura na Renamo, que também pode justificar este tipos de ataques”.

Mas Cadeado adverte que “neste momento tudo que nós dissermos vai cair no âmbito da especulação e de hipóteses, que tem que ser levantadas para perceber na profundidade o problema (…) mas não nos esqueçamos que também há espaço para ocorrência deste tipo de violência protagonizada por oportunistas”.

“De toda a forma,os ataques constituem um perigo à paz em Moçambique,” diz Nhambi.

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