"Temos que encontrar rapidamente um espaço para acomodar essas famílias", disse Mety Gôndola, secretário da província de Nampula, citado hoje pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

As autoridades moçambicanas contabilizam um total de 162 mil pessoas afetadas pela violência armada em toda província de Cabo Delgado, onde incursões armadas já provocaram a morte de, pelo menos, 550 pessoas desde 2017.

Os distritos de Quissanga, Macomia, Muidumbe e Mocímboa da Praia estão entre os mais afetados e as populações têm procurado refúgio em Pemba, capital provincial, ou em Nampula, província vizinha.

Segundo o secretário do governo de Nampula, as populações que se refugiaram naquela província estão em locais dispersos e o plano das autoridades agora é colocá-las no mesmo espaço para facilitar a assistência.

"Dessa forma, será mais fácil fornecer o apoio necessário e cuidar de questões como saneamento", acrescentou Gondola, que avançou que há dezenas de famílias que procuram abrigo e o número tem estado a aumentar nas últimas semanas.

Numa declaração à imprensa na quinta-feira, o ministro do Interior de Moçambique, Amade Miquidade, disse que os grupos armados em Cabo Delgado protagonizaram, entre os dias 03 e 13 deste mês, várias incursões nos distritos de Nangade, Quissanga, Mocímboa da Praia, Meluco, Muidumbe e Mueda.

Como resultado destas incursões, um total de 11 aldeias foram destruídas, 16 cidadãos foram raptados e outros 14 estão dados como desaparecidos, além de terem sido vandalizadas linhas de comunicações e um hospital recém-construído em Awasse.

Segundo o ministro, em resposta, entre quarta e quinta-feira, as Forças de Defesa e Segurança abateram um total de 50 membros destes grupos.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos para a extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista desde outubro de 2017.

No final de março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança.

Na ocasião, num vídeo distribuído na internet, um alegado militante 'jihadista' justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique com o objetivo de impor uma lei islâmica na região.

Foi a primeira mensagem divulgada por supostos autores dos ataques que ocorrem desde outubro de 2017 na província de Cabo Delgado, gravada numa das povoações que invadiram.

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