"No Norte, a outras soluções possíveis, acrescentamos a necessidade de cooperação internacional com os nossos vizinhos", declarou Joaquim Chissano, falando aos jornalistas à margem da cerimónia de tomada de posse de Filipe Nyusi, para um segundo mandato de cinco anos na Presidência da República.

Face à violência armada em Cabo Delgado, o povo moçambicano deve estar unido para reforçar o combate à insurreição naquela região.

"É todos estarmos unidos, sem cores partidárias, todos unidos para encontrar formas de acabar com os conflitos", acrescentou.

O Presidente da República assinalou que a unidade é também necessária para se acabar com a instabilidade militar na região Centro, onde tem havido ataques a alvos civis e das Forças de Defesa e Segurança.

Os ataques armados na província de Cabo Delgado eclodiram em 2017 protagonizados por residentes, frequentadores de mesquitas consideradas "radicalizadas" por estrangeiros, segundo líderes islâmicos locais com os quais criaram atritos nos anos anteriores.

Nunca houve uma reivindicação da autoria dos ataques, com exceção para comunicados do grupo "jihadista" Estado Islâmico, que desde junho tem vindo a chamar a si alguns deles, com alegadas fotos das ações, mas cuja presença no terreno especialistas e autoridades consideram pouco credível.

Os ataques já provocaram pelo menos 350 mortos, além de deixar cerca de 60.000 afetados ou obrigados a abandonar as suas terras e locais de residência, de acordo com a mais recente revisão do plano global de ajuda humanitária das Nações Unidas.

A província de Cabo Delgado é aquela onde avançam as obras dos megaprojetos que daqui a quatro anos vão colocar Moçambique no ‘top 10' dos produtores mundiais de gás natural e que onde há algumas empresas e trabalhadores portugueses entre as dezenas de empreiteiros contratados pelos consórcios de petrolíferas.

No Centro, desconhecidos têm protagonizado ataques nas províncias de Manica e Sofala, depois do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado a 06 de agosto do ano passado entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição.

O acordo é contestado por uma ala dissidente da guerrilha da Renamo, que se agrupou na autodenominada Junta Militar da Renamo.

O líder da referida junta Mariano Nhongo ameaçou minar o acordo com ataques armados, mas já negou várias vezes a responsabilidade pela insegurança na região.

Contudo, no último fim de semana disse que iria "intensificar" as investidas militares no Centro em protesto contra a tomada de posse dos deputados da Renamo na Assembleia da República.

A polícia moçambicana acusa os guerrilheiros do principal partido da oposição de autoria dos ataques, mas a direção do principal partido da oposição já se distanciou várias vezes do assunto.

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