"É imperioso que [este momento] sirva de oportunidade para uma reflexão profunda sobre a situação de instabilidade vivida em alguns distritos do norte da província de Cabo Delgado", disse M´tumuke, quando falava na cerimónia de lançamento da semana comemorativa das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

Os ataques a alvos civis naquele ponto do país visam retardar e inviabilizar o desenvolvimento social e económico e sustentável do país, acrescentou.

A violência em Cabo Delgado "exige que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique tenham um grau elevado de preparação e prontidão combativa de modo a conhecer o ´modus operandi` para melhor combater os malfeitores e manter a segurança e ordem públicas", disse.

Por seu turno, o vice-ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Patrício José, considerou complexo o combate à violência armada em Cabo Delgado porque os autores "não têm cara" nem revelam o que pretendem.

"Conhecemos a complexidade de lidar com a situação, estamos a lidar com insurgentes que não têm cara, do ponto de vista da sua organização institucional e do ponto de vista dos objetivos que pretendem", disse Patrício José, em declarações à Lusa.

O vice-ministro reconheceu a delicadeza da situação naquele ponto do país, quando falava à margem do lançamento de um livro de ficção de Teresa Taímo, militar das FADM.

Para compreender a natureza dos grupos que promovem ataques armados em alguns distritos de Cabo Delgado é necessário tempo, acrescentou.

"Estamos perante a desestabilização da ordem e tranquilidade públicas, que criam toda a dificuldade, mas quando se faz um levantamento daquela natureza leva o tempo que leva", enfatizou o vice-ministro da Defesa Nacional.

Questionado sobre notícias que dão conta da presença de peritos militares russos em apoio às FADM na província de Cabo Delgado, Patrício José não confirmou nem desmentiu as informações, defendendo que o Estado moçambicano coopera com vários parceiros no domínio da Defesa.

"Esse é um trabalho normal das Forças Armadas, a gente consulta este, consulta aquele", acrescentou.

De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência em Cabo Delgado, desde 2017, já terá provocado a morte de cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

Os ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.

O grupo ‘jihadista' Estado Islâmico anunciou pela primeira vez, em junho, estar associado a um dos ataques, mas a Polícia da República de Moçambique (PRM) disse na altura que esta informação não era verdadeira.

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