Amade Miquidade falou da atuação das forças de defesa e segurança moçambicanas, quando respondia a perguntas das bancadas da Assembleia da República (AR) sobre a violência armada nas regiões centro e norte do país.

“A complexidade da atuação dos terroristas levou a um redimensionamento da estratégia e dos meios para os combater [no Norte]”, declarou Miquidade.

O governante avançou que os grupos armados assumem uma natureza e atuação complexas, tendo começado por ter um cariz aparentemente religioso.

“Aquilo que parecia ser um conflito inter-religioso, nalgum momento, degenerou numa dimensão de violência”, assinalou o ministro do Interior.

Amade Miquidade defendeu ainda que as ações de grupos armados na província de Cabo Delgado, onde ocorrem os ataques, têm uma dimensão externa, mas não avançou mais detalhes.

Na abertura da sessão parlamentar de perguntas e respostas com o Governo, o primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, afirmou que o executivo aposta na promoção de projetos de desenvolvimento social e económico na província de Cabo Delgado, para a criação de emprego a favor de jovens e mulheres.

“Em complemento às ações das forças de defesa e segurança, temos estado a reforçar os mecanismos de trocas de informação ao nível regional e continental, bem como a implementar projetos de desenvolvimento e dinamização da atividade económica e social naquele ponto do país”, disse o primeiro-ministro.

Em relação aos ataques armados no centro do país, o ministro do Interior exortou a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, a encontrar uma saída à dissidência que levou ao surgimento da Junta Militar da Renamo.

As autoridades moçambicanas têm responsabilizado a referida junta pela autoria dos ataques armados no centro do país.

Na quinta-feira, Amade Miquidade disse que as forças de defesa e segurança abateram, entre terça e quinta-feira um total de 50 membros dos grupos que têm protagonizado ataques armados em Cabo Delgado.

Cabo Delgado, região onde avançam megaprojetos para a extração de gás natural, vê-se a braços com ataques de grupos armados classificados como uma ameaça terrorista e que já provocaram a morte de, pelo menos, 550 pessoas em dois anos e meio.

As autoridades moçambicanas contabilizam 162 mil afetados pela violência armada na província.

No Centro do país, desde agosto do ano passado, ataques armados atribuídos à Junta Militar da Renamo têm visado forças de segurança e civis em aldeias e nalguns troços de estrada da região, tendo causado mais de 20 mortos e vários feridos, além da destruição de veículos.

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