"De repente vi uma chuva de balas que vinham contra mim. Decidi não parar, preferi morrer a andar, foi essa decisão que me salvou. Salvei também os passageiros", disse Carlos Macuacua, motorista do autocarro de passageiros que foi atacado na segunda-feira na província de Manica, quando fazia o trajeto Maputo-Quelimane.

O ataque aconteceu na estrada nacional 1 (EN1) junto a Muda Serração, no distrito de Gondola, pelas 19:00 (locais), depois de a noite cair.

"Não está a ser fácil, conduzir nesta via", lamentou o motorista, acrescentando que o espantoso é que o ataque ocorreu minutos após o carro passar por uma posição policial.

"Não andei cinco minutos após passar uma posição policial e fui atacado", acrescenta o motorista.

Stelio João, cobrador do autocarro, descreve que os tiros foram disparados a partir de uma mata.

"Os primeiros foram para o lado de frente do autocarro e os restantes tiros vinham da parte lateral do motorista", afirmou Stelio João, frisando que o condutor não se deixou assustar pelos tiros e continuou, o que salvou os passageiros.

"Vínhamos tranquilos e repentinamente levámos uma chuva de tiros sem saber porquê", lamenta.

No total, no autocarro, seguiam 45 passageiros, que foram obrigados a pernoitar em Inchope, a pouco mais de 40 quilómetros do ponto em que o ataque ocorreu, e só foi possível levar o ferido para uma unidade de saúde local pela manhã.

Fontes do hospital disseram à Lusa que o ferido continua com a bala alojada na parte da cabeça, tendo sido transferido do hospital de Gondola para o Hospital Provincial de Chimoio.

O ataque fez ainda um morto entre os passageiros, um homem, que foi levado para a morgue do hospital de Gondola.

Na mesma zona em que ocorreu o ataque de segunda-feira, uma camioneta de carga, que transportava peixe seco de Inhassoro (Inhambane) para a cidade da Beira (Sofala), foi atacada e uma pessoa ficou ferida, estando agora internado na ortopedia no Hospital Provincial de Chimoio, apurou a Lusa no local.

Com este incidente sobe para 11 o total de vítimas mortais, desde agosto, em ataques armados de grupos que deambulam pelas matas da região contra alvos civis e policiais.

A situação de insegurança afeta dois dos principais corredores rodoviários do país, a EN1, que liga o Norte ao Sul do país, e a EN6, que liga o porto da cidade da Beira ao Zimbábue e restantes países do interior da África Austral - levando ao reforço do policiamento e a escoltas nalguns troços.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) tem responsabilizado um grupo de guerrilheiros dissidentes da oposição, a autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), pelos ataques.

As incursões acontecem num reduto da Renamo, onde os guerrilheiros se confrontaram com as forças de defesa e segurança moçambicanas e atingiram alvos civis até ao cessar-fogo de dezembro de 2016.

Oficialmente, o partido afasta-se dos atuais incidentes e diz estar a cumprir as ações de desarmamento que constam do acordo de paz de 06 de agosto deste ano, mas um grupo dissidente (considerado "desertor" pela Renamo) liderado por Mariano Nhongo permanece entrincheirado, reivindicando melhores condições de desmobilização.

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