O dia 4 de outubro é uma data duplamente lembrada na província de Nampula, no norte de Moçambique. O primeiro motivo é a assinatura dos acordos gerais de paz em Roma, em 1992. O segundo é o assassinato do edil Mahamudo Amurane, em 2017.

As autoridades ainda não encontraram os culpados e também não houve responsabilização criminal. É uma situação que preocupa os cidadãos de Nampula. Amina Amade, vizinha de Amurane, pede o esclarecimento do caso. "Sinto muito. Eu não estou satisfeita [ com o ritmo de investigação], porque gostaria que fosse achado o assassino", disse à DW África.

Gamito dos Santos, antigo diretor de Mercados e Feiras na governação de Mahamudo Amurane, também critica a falta do esclarecimento do caso.

"Não podemos olhar só para as questões políticas. [O assassinato] também pode estar ligado a questões empresariais, porque havia pessoas que se sentiam pressionadas pela maneira de governar do presidente Amurane. Havia empresários que sentiam-se mal. Havia pessoas cujos negócios já estavam parados, porque o presidente Amurane era um presidente mão-de-ferro", conta.

Homenagem especial a Amurane

Para o dia não passar despercebido, esta sexta-feira (04.10) haverá uma homenagem especial a Mahamudo Amurane. "Vamos visitar o túmulo do falecido. E estamos a pensar em sentarmo-nos e refletirmos em torno dos projetos do presidente Amurane, sobre o que nós pensamos e como é que será a sua efetivação, uma vez o presidente já se foi", revelou Gamito dos Santos.

A 8 de agosto, a juíza da sexta secção do Tribunal Judicial da Província de Nampula mandou devolver o processo do '"caso Amurane" à Procuradoria Provincial, para mais investigação, por entender que não reuniam provas suficientes para levar a julgamento o antigo vereador Saíde Aly Abdulremane Abdala e o empresário da construção civil Zainal Abdina Abdul Satar - até agora os únicos dois arguidos acusados na investigação.

A DW África contactou a procuradoria provincial de Nampula para falar sobre o ponto de situação do "caso Amurane". A porta-voz, Hermínia Gustavo, disse que não podia prestar esclarecimentos por se encontra em "férias disciplinares".

Até o fecho desta reportagem, não foi possível obter mais reações na procuradoria de Nampula. Segundo avançou a secretária do procurador-chefe, a DW África seria "contactada oportunamente".

por:content_author: Sitoi Lutxeque (Nampula)

 

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