Há três anos, a 15 de Janeiro de 2015, Filipe Nyusi tomou posse como Presidente da República de Moçambique.

Nyusi ascende ao poder numa altura em que o país começava a ser afectado por uma forte crise económica E quando já se vinha ressentindo de uma crise político-militar resultante de um impasse entre o governo cessante e o maior partido da oposição.

Este facto exigiria do novo Presidente da República, decisões inteligentes para ajudar a eliminar as crises ou, no mínimo, amenizá-las.

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1ª Decisão: O funcionário do povo com sentido de justiça social

O Estadista começou, no seu discurso de tomada de posse, por declarar o povo moçambicano como o seu único e exclusivo patrão e, a 16 de Janeiro de 2015, anunciou a formação do seu governo, composto por 22 ministros entre os quais cinco mulheres e 18 vice-ministros, dos quais oito mulheres. Estava acautelada a questão de género, embora de forma não equitativa, mas o novo governante manifestou vontade e disponibilidade para trabalhar com todos.

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2ª Decisão: Abrir portas à juventude

No concernente à inserção, também a juventude moçambicana se viu espelhada no governo formado por Filipe Nyusi. Ministros e Vice-Ministros foram chamados a representar essa camada social, a exemplo de Alberto Nkutumula, Ministro da Juventude e Desportos, Ana Flávia Azinheira, Vice-Ministra da Juventude e Desportos e Osvaldo Petersburgo, Vice-Ministro do Trabalho, Emprego e Segurança Social.

3ª Decisão: Apertar a mão à oposição

A vontade de Nyusi em encontrar soluções efectivas para os problemas do país, viria a mostrar-se contínua, mais adiante, quando a 12 de Agosto de 2015, indicou Daviz Simango, Presidente da terceira maior força política no país, o Movimento Democrático de Moçambique, para o Conselho do Estado.

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4ª Decisão: Encontros de paz

Filipe Nyusi alargou, em benefício da democracia, o espaço de diálogo entre os partidos políticos. O objectivo era buscar ideias para o alcance da paz e consolidação da Unidade Nacional. Foi neste contexto que, a 07 de Fevereiro de 2015, manteve o primeiro encontro com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, acto que voltaria a repetir-se dois dias mais tarde. Destes encontros, Nyusi conseguiu fazer com que Dhlakama deliberasse a tomada de posse dos deputados da Renamo na Assembleia da República e ordenasse os membros das assembleias provinciais a ocuparem os seus lugares naqueles órgãos.

Mas não seria ainda o fim do Impasse. Dhlakama disse que o seu partido iria submeter à Assembleia da República um ante-projecto de lei que visava criar regiões autónomas no país, ressalvando que caso o documento não fosse aprovado, o Presidente da República não governaria em paz.

5ª Decisão: Negociações criativas

Na incessante busca pela paz, o Presidente da República procurou reinventar os métodos de interacção com o líder da Renamo, tendo conseguido, através de contacto telefónico, convencer Afonso Dhlakama a anunciar pela primeira vez, a 27 de Dezembro de 2016, tréguas nas hostilidades militares. Inicialmente, as tréguas durariam uma semana, mas a nova postura de Nyusi e os consensos alcançados nas negociações pela paz fizeram Afonso Dhlakama prorrogar o prazo para 60 dias e mais tarde, por tempo indeterminado.

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A paz em Moçambique ganhou contornos mais duradouros, porém, ao que tudo indica, só se tornará efectiva quando o pacote sobre a descentralização e dos assuntos militares em negociação, estiver concluído.

6ª Decisão: Aposta na mobilidade

Ainda em 2016, o Presidente da República de Moçambique concluiu a reabilitação da Linha Férrea Cuamba-Lichinga, depois de sete anos de paralisação. Com as obras concluídas, os comboios voltaram a circular em Setembro de 2016, carregando alento para as populações. Também nesse período, lançou o projecto de asfaltagem da EN13, a Estrada Nacional que liga as cidades de Cuamba e Lichinga, cumprindo, assim, uma velha promessa do executivo.

7ª Decisão: Combate à corrupção

Selado o calar das armas no norte e centro do país, com o anúncio de tréguas por tempo indeterminado, Filipe Nyusi poderia agora dar a devida atenção a outros males que assolam o país. Nesse contexto, o Presidente da República elegeu, em Setembro de 2017, o combate à corrupção como o principal desafio, a começar pelas hostes da Frelimo. Na abertura do 11º Congresso do partido, Nyusi desafiou os camaradas a adoptarem medidas sérias para combaterem este mal. Nessa ordem de ideias, já tinham sido julgados, ou ainda estavam em julgamento, casos de desvio de fundos envolvendo altas personalidades ligadas ao governo, como é o caso do ex-Ministro da Justiça, Abdurremane Lino de Almeida, condenado a dois anos de prisão e devolução efectiva dos 1789 milhões de meticais extraviados do Estado.

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8ª Decisão: Escolhas de investimentos

Entre decisões consideradas boas, algumas trouxeram alguma polémica, tal era o contraste com a realidade do país. A redução em mais de 200 milhões de meticais, da verba para a aquisição de medicamentos, no Orçamento do Estado de 2018 é uma delas. Paradoxalmente, em período de tréguas, o Presidente da República incrementou, em mais de um bilião de meticais, a alocação para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

9ª Decisão: Aquisição polémica

Outra decisão que viria a criar polémica, foi a aquisição de uma aeronave Bombardier Challenger, de 14 lugares. Trata-se de um avião adquirido por cerca de 560 milhões de meticais, segundo noticiou o jornal britânico Daily Mail. O Governo viria a desmentir a informação, porém, confirmou a compra do avião pela companhia Linhas Aéreas de Moçambique-LAM, ressalvando que o mesmo se destina ao segmento executivo da sua subsidiária, a Mex.

O SAPO poderia arrolar mais intervenções do Presidente da República, mas por uma razão muito especial ficam estas 9.

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