"A PJ já foi buscar o arroz ao armazém para onde se tinha levado e está a ser reposto no local onde estava guardado", disse à Lusa fonte da PJ.

As forças de segurança da Guiné-Bissau retiraram quinta-feira de um armazém em Bissau o arroz doado pela China e apreendido pela PJ, por suspeita de estar a ser comercializado, na sequência de um pedido do magistrado do Ministério Público responsável pelo processo.

Hoje, durante a tarde, o primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, esteve reunido com o ministro do Interior e com a Polícia Judiciária e pediu a devolução do arroz para começar a ser distribuído.

"Ontem à noite assistimos a um acontecimento triste, um dos armazéns foi violado com a presença da polícia que foi lá para o efeito e alguns camiões de arroz foram levados para um outro armazém", afirmou à Lusa Aristides Gomes.

Segundo o primeiro-ministro, face a toda a manipulação a que se tem assistido decidiu "acelerar o processo de distribuição" do arroz.

"Tem de ser devolvido. Não foi o Ministério do Interior provavelmente que levou o arroz, mas a operação foi apoiada por polícias do Ministério do Interior, portanto, é preciso que a instituição ou pessoa que subtraiu o arroz possa devolver o arroz ao armazém onde estava", disse.

O primeiro-ministro guineense explicou também que criou uma comissão composta por representantes de várias instituições do Governo e da sociedade civil e que estão a ser feitos esforços para que "dentro de dois a três dias" se possa iniciar a sua distribuição.

"É um bem perecível, que está nos armazéns, que está sujeito a variação de temperatura e humidade e para além disso temos esta situação de dificuldades de controlar o estoque por razões óbvias", salientou.

A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau apreendeu no âmbito de uma operação, denominada "Arroz do Povo", várias centenas de toneladas de arroz doado pela China, que segundo aquela força de investigação criminal, estava a ser preparado para ser vendido ao público.

O arroz apreendido estava num armazém em Bafatá, propriedade do antigo ministro do Interior Botché Candé, e numa quinta do ministro da Agricultura, Nicolau dos Santos.

No âmbito da operação, a PJ tentou ainda deter o ministro da Agricultura, mas foi impedida pelas forças de segurança.

No final de abril, o Ministério Público guineense ordenou à PJ a devolução dos sacos de arroz, doados pela China, apreendidos na quinta do ministro da Agricultura.

No mesmo despacho, datado de 24 de abril, o Ministério Público ordenou também a abertura de um processo-crime contra cinco agentes daquela força de investigação criminal.

Segundo o Ministério Público, a Polícia Judiciária tinha mandados de busca para efetuar diligências na cidade de Bafatá, nomeadamente nos "armazéns e domicílios dos suspeitos assim como nos domicílios de quaisquer pessoas na posse do referido produto".

"Sucede, porém, que a PJ alargou essas diligências para outras localidades não abrangidas no mandado", acrescenta do Ministério Público.

Em resposta, a PJ guineense disse que não iria entregar o arroz, que as buscas à quinta do ministro da Agricultura foram legais e abriu uma investigação contra o magistrado do Ministério Público responsável pelo processo.

O embaixador da China no país, Jin Hong Jun, disse à Lusa que está a seguir com muita atenção a investigação da Polícia Judiciária e salientou que o arroz doado "não é para venda".

O embaixador explicou que foi doado um total de 2.638 toneladas de arroz, no valor de três milhões de dólares, e que o donativo chegou a 26 de janeiro.

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