Na terça-feira à noite, Abdelaziz Bouteflika apresentou a sua demissão ao presidente do Conselho constitucional.

É o fim de uma novela que se arrastava há quase dois meses com os protestos nas ruas, primeiro a pedirem que Bouteflika não se apresentasse a um quinto mandato. Depois, com a renúncia de Bouteflika, os manifestantes queriam a sua demissão imediata para haver eleições presidenciais.

Segunda-feira, Abdelaziz Bouteflika anunciou que ia fazê-lo antes de 28 de Abril, quando terminava o mandato, mas na terça-feira, e novamente com a pressão dos militares, decidiu sair imediatamente.

Que transição?

Com a saída de Abdelaziz Bouteflika, é o presidente da câmara alta do Parlamento, Abdelkader Bensalah, que vai liderar a transição e deverá organizar eleições dentro de 90 dias.

Qual é o papel que desempenhará o exército neste processo? Esta é a interrogação que muitos sectores se colocam.

De lembrar que o posicionamento do chefe do Estado-Maior do Exército argelino, general Ahmed Gaid Salah, exigindo a demissão de Bouteflika, sob a pressão da rua, pode ter sido determinante neste desfecho.

Os militares poderão também, provavelmente, pesar no cenário da convocatória por Abdelkader Bensalah da data de novas eleições visando encontrar aquele que vai suceder a Abdelaziz Bouteflika, após 20 anos no poder.

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