O chefe de Estado-Maior da Argélia, o general Ahmed Gaid Salah, pediu num discurso na televisão que o presidente Abdelaziz Bouteflika seja declarado inapto para exercer as suas funções devido à sua “doença grave e duradoura“, ou que renuncie por vontade própria.

O anúncio acontece após um mês de protestos populares contra a intenção de Abdelaziz Bouteflika em se candidatar um quinto mandato. No entanto, face às manifestações, o actual presidente renunciou a candidatar-se novamente.

O Presidente argelino quer manter-se na Presidência até à transição, mas a contestação continua exigindo a sua saída imediata.

Com a tomada de posição, o chefe do Estado-Maior do exército argelino pediu para dar início ao procedimento previsto pelo artigo número 102 da Constituição.

Artigo que prevê que o parlamento, sob proposta do Conselho Constitucional, declare, por maioria de dois terços, “o estado de impedimento” quando “o Presidente da República, em virtude de doença grave e duradoura, é totalmente incapaz de desempenhar as suas funções“.

O partido do Presidente Abdelaziz Bouteflika considerou que a proposta do chefe de Estado era “a melhor”.

Em entrevista à RFI, Raúl Braga Pires, especialista do norte de África, admitiu que o Estado Maior tomou posição mas acredita que Bouteflika vai ficar até às próximas eleições.

De notar ainda que a FLN – Frente de Libertação Nacional – se juntou aos militares, pedindo que o Presidente argelino seja destituído.


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