"Quando a liberdade de expressão, o direito à informação e o direito a ser informado são colocados em causa, o Estado de Direito, no seu todo, está colocado em causa e é, sem dúvida, um retrocesso civilizacional", afirmou Gilberto Correia.

Correia falava aos jornalistas, à margem da cerimónia de lançamento do Dia do Advogado e da Semana do Advogado moçambicano.

O antigo bastonário da OAM avançou que casos como o do alegado fogo posto às instalações do semanário Canal de Moçambique, em agosto, e do desaparecimento em abril de um jornalista na província de Cabo Delgado, norte do país, são motivos de preocupação para toda a sociedade, porque estão a ser atacados símbolos de um Estado de Direito democrático.

"É preocupante o que está a acontecer em relação aos abusos da liberdade de imprensa, a intimidação contra jornalistas, os estranhos incêndios em órgãos de comunicação social que nãos estejam alinhados com as posições do poder", frisou.

No dia 23 de agosto, a redação do Canal de Moçambique ficou completamente destruída num incêndio que a direção do jornal atribui a fogo posto e que já mereceu uma forte onda de repúdio nacional e internacional.

Segundo a direção do jornal, desconhecidos atearam fogo à redação, tendo sido encontrados bidões no interior das instalações, um dos quais ainda com um pouco de combustível.

Os autores do incêndio terão introduzido os bidões de combustível no interior das instalações do jornal, depois de arrombarem a porta frontal do espaço.

Desde 07 de abril está desaparecido o jornalista Ibraimo Mbaruco, da rádio comunitária do distrito de Palma, de Cabo Delgado, província palco de violência armada.

Em janeiro de 2019, Amade Abubacar e Germano Adriano, dois jornalistas de uma rádio comunitária do distrito de Macomia, em Cabo Delgado, foram raptados pela polícia, devido às suas reportagens sobre o conflito armado na província de Cabo Delgado.

Em 27 de março de 2018, Ericino de Salema, advogado e jornalista, foi raptado por homens armados desconhecidos, que o espancaram gravemente e lhe partiram os braços e as pernas por criticar o Governo na televisão.

Em 23 de maio de 2016, Jaime Macuane, docente de Ciência Política e Administração Pública da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), foi raptado e levado para uma área isolada nos arredores de Maputo, onde foi espancado gravemente.

Em 02 de março de 2015, Gilles Cistac, advogado especializado em Direito Constitucional e professor na UEM, foi abatido a tiro em plena luz do dia em Maputo, após manifestar publicamente os seus pontos de vista sobre a Constituição da República de Moçambique (CRM).

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