Segundo a mesma fonte da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia, as duas jovens foram detidas alegadamente por terem velas de plástico, que são normalmente utilizadas para lembrar as vítimas do massacre de 04 de junho em Tiananmenn em 1989, que Pequim nunca reconheceu.

“As duas jovens são filhas de Au Kam San”, deputado pró-democracia e um dos organizadores do evento, explicou, acrescentando que as duas jovens foram levadas para uma esquadra.

A TDM Canal Macau, que já tinha avançado com a notícia, informou ainda, através da sua página na rede social Facebook, que por volta das 20:00 locais uma outra jovem tinha sido detida “por não ter conseguido produzir identificação”.

De acordo com a televisão local, a jovem foi detida no Leal Senado, local onde habitualmente se realizam as vigílias, mas que desta vez foram proibidas, numa decisão sem precedentes por parte das autoridades do território com a justificação da prevenção à COVID-19.

Imagens partilhadas nas redes sociais mostram um relativo aparato policial com as autoridades a pedirem a identificação às pessoas que se encontravam no largo do Leal Senado e a pedirem para que estas dispersassem, mais ou menos à mesma hora que a jovem foi detida, segundo a TDM.

Um dia antes, a Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau avisou que não iria tolerar atividades que violem a proibição de reuniões públicas instaurada para combater a pandemia de COVID-19, recordando as sanções aplicáveis.

Na nota, a PSP recordou que, “de acordo com as diretrizes do Departamento de Saúde”, as reuniões públicas continuam a ser proibidas, já que “a concentração de pessoas pode provocar a rápida disseminação de doenças infecciosas”, como a COVID-19.

No final de maio, o Tribunal de Última Instância (TUI) de Macau rejeitou um recurso que contestava a decisão da polícia de proibir uma vigília para assinalar no território o massacre de Tiananmenn. A decisão policial foi justificada com o risco pandémico que se vive no território, uma justificação validada pelo TUI.

A data foi assinalada, com transmissão online, por cerca de 10 pessoas em Macau dentro de uma casa, a sede da União de Macau para o Desenvolvimento da Democracia, associação esta que organiza as vigílias em Macau, que se costumam realizar na praça do Leal Senado.

A transferência da administração de Macau ocorreu no final de 1999, pouco mais de dois anos depois de a China ter recuperado a soberania sobre a antiga colónia britânica de Hong Kong.

Em ambos os casos, Pequim aplicou o princípio “Um País, Dois Sistemas”, que permitiu a Hong Kong e Macau manterem o sistema capitalista e o seu modo de vida, incluindo direitos e liberdades de que gozavam as respetivas populações.

As duas regiões têm autonomia em todas as áreas, exceto na diplomacia e na defesa.

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