Continuam os protestos dos partidos derrotados nas eleições de 15 de outubro. A oposição contesta os resultados da votação, que dão a vitória à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e ao seu candidato presidencial, Filipe Nyusi. E pede a anulação do escrutínio.

Alves António, mandatário provincial do partido Ação de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI) em Nampula, considera que o processo ficou manchado por irregularidades.

"O AMUSI avalia [a eleição] de uma forma negativa, porque aquela não foi uma eleição, foi um jogo preparado pelo partido no poder", afirma António em entrevista à DW África.

"Desde o recenseamento que os partidos políticos estavam a contestar o processo", acrescenta.

Críticas

A oposição contesta, por exemplo, o recenseamento na província de Gaza, por haver supostamente 300 mil eleitores inscritos a mais do que o total da população em idade de votar. Fala também em "muitas irregularidades" no dia da votação.

O mandatário provincial do partido AMUSI, Alves António, diz que denunciou vários casos ao Tribunal Judicial Provincial de Nampula, mas os processos não avançaram: "Nós não concordamos com estes resultados por causa dessas grandes fraudes que aconteceram. Mesmo o órgão eleitoral reconhece este assunto, porque foi um assunto orquestrado", diz.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Abdul Carimo, admitiu na terça-feira (29.10) ter ficado preocupado com "algumas irregularidades" na votação. Por isso é que, quando divulgou os resultados, no domingo, "ninguém nos ouviu a dizer que as eleições foram livres, justas e transparentes", referiu Carimo.

Sobre as denúncias em relação ao escrutínio, o partido no poder comenta que a oposição é "livre de contestar" os resultados.

Ouvido pela DW África, o analista Arlindo Muririua recomenta a FRELIMO a não cantar vitória enquanto os resultados das eleições não forem validados pelo Conselho Constitucional.

"É preciso ter calma! Os partidos políticos, independentemente de estar no poder ou não, devem ter calma. Todos eles foram às eleições em pé de igualdade, até à decisão final do Conselho Constitucional", afirma.

O Conselho Constitucional terá até ao Natal para validar os resultados das eleições.

por:content_author: Sitoi Lutxeque (Nampula)

 

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