"A organização está preocupada com a possibilidade de Amade necessitar de cuidados médicos urgentes e não estar a receber o tratamento médico necessário e adequado", refere um comunicado da organização distribuído hoje à imprensa.

Amade Abubacar, 31 anos, jornalista da rádio comunitária Nacedje e colaborador do portal Zitamar News, foi detido a 05 de janeiro na vila de Macomia, em Cabo Delgado, norte do país.

De acordo com a Amnistia Internacional, desde a sua detenção, Amade tem sofrido uma série de problemas de saúde, entre as quais dores de cabeça constantes e diarreias.

"Antes de ser preso, Amade encontrava-se de boa saúde, mas o seu estado deteriorou-se rapidamente durante a detenção", acrescenta a organização, que cita fontes "credíveis".

Para a Amnistia Internacional, a detenção de Abubacar é ilegal e as alegações de que estaria a sofrer maus tratos na cadeia de Mieze devem ser investigadas.

"Amade está a definhar na prisão simplesmente por fazer o seu trabalho de jornalista, expondo o sofrimento infligido a civis por ataques mortíferos em Cabo Delgado", refere o comunicado, citando Deprose Muchena, diretor regional da Amnistia Internacional para a África Austral.

O jornalista, que esteve nos primeiros dias detido numa base militar, é acusado de crimes de violação do segredo de Estado e instigação pública com recurso a meios informáticos.

Amade Abubacar foi posteriormente transferido para um comando da polícia, mas depois foi levado para o estabelecimento penitenciário de Mieze, que alberga parte considerável de indivíduos suspeitos de estarem ligados aos grupos armados que têm protagonizado ataques em Cabo Delegado.

Além de Amade Abubacar, o jornalista Germano Daniel Adriano, também da Rádio e Televisão Comunitária de Macomia, foi detido no dia 18 fevereiro, acusado também de violação do segredo de Estado e instigação pública a um crime.

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