"As autoridades moçambicanas devem libertar imediata e incondicionalmente o jornalista Amade Abubacar da detenção arbitrária por parte das forças militares e acabar com a crescente repressão aos jornalistas", disse Tigere Chagutah, diretor adjunto da Amnistia internacional para a África Austral, citado num comunicado da instituição enviado ontem à agência Lusa.

Amade Abubacar, jornalista da rádio comunitária Nacedje, foi detido no sábado no terminal dos transportes de passageiros do distrito de Macomia, quando fotografava famílias que abandonavam a região com receio de ataques armados.

Em declarações à Lusa, o pai do jornalista moçambicano detido, Abubacar Artur, disse ontem que a família não tem informações sobre a situação de Amade Abubacar, cinco dias após a sua detenção por membros da Polícia moçambicana.

A Amnistia internacional critica o facto de o jornalista moçambicano estar detido em regime de "incomunicabilidade e sem acesso a um advogado", considerando que as autoridades moçambicanas deviam estar preocupadas em garantir a segurança da população local das ações dos grupos armados.

"Em vez de visar jornalistas que estão cobrindo os ataques em Cabo Delgado, as autoridades moçambicanas deveriam estar tentando entender as causas da violência e tomar medidas para proteger os civis", concluiu.

Amade Abubacar foi detido por cinco agentes da polícia, que também apreenderam o telemóvel do jornalista.

Este é o segundo caso de detenções de jornalistas na província de Cabo Delgado nos últimos dois meses. Em dezembro, o Instituto de Comunicação Social da África Austral denunciou a detenção pelo exército moçambicano de três jornalistas estrangeiros e um moçambicano a caminho do distrito de Palma, norte de Moçambique.

Distritos recônditos da província de Cabo Delgado, no extremo nordeste do país, têm sido alvo de ataques de grupos desconhecidos desde outubro de 2017.

A onda de violência naquela zona começou após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017.

Depois de Mocímboa da Praia, têm ocorrido dezenas de ataques que se suspeita estarem relacionados com o mesmo tipo de grupo.

De acordo com números oficiais, cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança, morreram desde que a onda de violência começou naquela zona do país.