O ataque relatado por testemunhas à Lusa aconteceu pelas 06:20 (locais) na estrada nacional 1, que liga o Centro ao Norte do país, junto ao rio Pungué, que separa os distrito de Nhamatanda e Gorongosa.

"O ataque foi protagonizado por indivíduos armados que se presume pertençam à [autoproclamada] Junta Militar da Renamo", liderada por Mariano Nhongo, disse o dirigente no comando provincial de Sofala da Polícia da República de Moçambique (PRM) Daniel Macuácua, numa conferência de imprensa nas instalações daquela força de segurança, na cidade da Beira.

Os agressores "direcionaram os disparos contra uma viatura da polícia", um veículo Mahindra, um tipo de carro de caixa aberta, onde seguiam quatro ocupantes "todos da PRM".

"Da troca de tiros no local culminou um óbito e a destruição da viatura, incendiada", acrescentou.

Uma equipa da PRM deslocou-se para o local e deteve um indivíduo que se supõe que pertença ao grupo de guerrilheiros dissidentes do maior partido da oposição, além de ter apreendido uma viatura e duas motos que se presume tenham sido usados pelos homens armados.

A polícia "continua a vasculhar" a área, acrescentou.

A patrulha circulava naquele troço de estrada para garantir a segurança, face a outros ataques semelhantes ocorridos na zona desde agosto, mas acabou por ser uma vítima da violência armada.

A PRM disse hoje que "há transitabilidade, de forma livre" na estrada em causa.

A circulação "decorre de forma segura", tendo em conta a presença da força naquele troço.

Samuel Nhambanga, um condutor que passou pelo local pouco tempo depois do ataque, contou na quarta-feira à Lusa que ouviu os disparos quando estava nas proximidades e foi alertado que se travava de um ataque por um camionista, que tinha escapado do tiroteio.

"Depois de uma pausa novos disparos mais intensos ainda foram ouvidos", acrescentou, adiantando que o tráfego foi reaberto perto das 08:00 (locais), cerca de duas horas após o início dos disparos.

Virgílio Sande, um outro condutor de transportes de passgeiros na rota Inchope-Gorongosa, explicou que, quando passou pelo local, "o motorista da viatura Mahindra tinha morrido carbonizado e havia três homens amarrados, deitados na berma da estrada".

Um morador contou à Lusa que centenas de viaturas que faziam o sentido centro-norte de Moçambique formaram longas filas desde o início da manhã no Inchope - um importante cruzamento no centro do país - e só seguiram viagem escoltados por uma viatura policial.

A região em que se registou o ataque tem sido palco de incursões armadas contra veículos, desde agosto, que já tinham provocado alguns feridos e três mortos, segundo dados de autoridades locais.

A zona centro de Moçambique foi historicamente palco de confrontos armados entre forças governamentais e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) até dezembro de 2016, altura em que as armas se calaram, tendo a paz sido selada num acordo subscrito em 06 de agosto.

Permanecem na zona guerrilheiros, em número incerto, que formaram uma autoproclamada Junta Militar para contestar a liderança da Renamo por Ossufo Momade e defender a renegociação do seu desarmamento e reintegração na sociedade.

O grupo de guerrilheiros já ameaçou por mais que uma vez recorrer às armas caso não seja ouvido - mas, por sua vez, também se diz perseguido por outros elementos desconhecidos.

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