A ministra sul-africana das Relações Internacionais e Cooperação, Naledi Pandor, disse que o seu país e Moçambique estão em conversações sobre a assistência que a África do Sul “pode oferecer ao país vizinho”.

O director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento-CDD, Adriano Nuvunga, diz que a África do Sul tem interesse nisso, porque até aqui, o apoio era através de empresas de mercenários sul-africanos, e agora acha que o próprio Presidente do país deve ter um espaço maior de participar neste processo.

“A África do Sul quer ter um papel importantíssimo neste processo e restabelecer um relacionamento positivo com Moçambique, dada a actual conjuntura de relações bastante abaladas, por um lado, pela detenção do antigo moçambicano das Finanças, Manuel Chang, e por outro, pelo recente repatriamento de cidadãos moçambicanos, alguns dos quais supostamente infectados com a Covid-19″, anotou.

À pergunta o que é que Moçambique quer da África do Sul, Adriano Nuvunga respondeu que ”daquilo que me consta, Moçambique quer três coisas: apoio militar em forma de submarinos, apoio aéreo e também capacidade de inteligência; mas quer, igualmente, dinheiro, porque o uso de mercenários requer dinheiro”.

Por seu turno, o especialista em relações internacionais na Universidade Joaquim Chissano, em Maputo, Calton Cadeado, afirma que apesar da falta de clareza relativamente ao tipo de apoio sul-africano, o mesmo é bastante importante.

“Agora, Moçambique vai ter um espaço mais alargado de actuação a todos os outros actores com os quais o país vai cooperar mais activamente. Este é o primeiro ganho, o segundo é que em temos de valor político, a partir deste momento, a África do Sul e todos os outros que vão entrar, vão judar Moçambique a apertar o cerco a este grupo que está a actuar em Cabo Delgado”, realçou aquele académico.

Para Calton Cadeado, isso pode ser uma mais-valia em termos psicológicos para Moçambique, mas também vai contribuir para elevar a capacidade combativa.

“Mesmo que a África do Sul não coloque forças armadas, polícia ou qualquer tipo de força especial a actuar no terreno moçambicano, o simples facto de providenciar mais informação e mais equipamento, vai ajudar a dar um pouco mais de moral às tropas moçambicanas que estão envolvidas no combate a grupo”concluiu.

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