O novo preço do pão entrou em vigor ontem, 6 de Setembro, em todo o país. À semelhança da água, luz, combustível e de outros produtos de primeira necessidade como o arroz, a farinha, o açucar, entre outros produtos que fazem parte da cesta básica dos moçambicanos, o pão custa agora mais dinheiro, passando a estar "um metical mais caro".

O aumento do preço do pão não se reflecte, para já, em todas as padarias de Maputo. Numa ronda realizada pelo Sapo Moçambique a três padarias centrais da cidade, ficou patente as diferenças de preço entre os vários pontos de venda.  O preço do pão, tal como acontece com muitos outros produtos no mercado nacional, não tem um valor fixo. Ou seja, varia consoante alguns factores, entre eles, a zona onde a padaria está situada.

Na pastelaria "Nova Era", na avenida Mao Tse Tung, na zona da Malhangalene, o preço do pão varia entre dois a vinte meticais e, de acordo com a funcionária do estabelecimento, o aumento foi de três meticais correspondentes ao “pão de forma” que antes custava dezassete meticais. Na padaria “Nautilus”, no bairro da Polana, entre as avenidas Julius Nyerere e 24 de Julho, o aumento do pão também foi de três meticais correspondentes ao “cacete” que passou de sete para dez meticais.

Fora dos ajustamentos de preço do pão ficaram a pastelaria “Pérola de Maputo” (situada na avenida 25 de Setembro) e o “Mercado do Triunfo” (na av. Marginal).

Em declarações ao Sapo Moçambique, o propretário da pastelaria "Pérola de Maputo", Duarte José, afirmou que aumentar o preço do pão, neste momento, não seria uma atitude correcta uma vez que o preço da farinha já aumentou há mais de dois anos. “Há dois anos que o preço da farinha passou de 600 para 1200 meticais  o saco e, há dois anos que vendo o pão por três e cinco meticais respectivamente".Por isso, "seria enganar o cliente se aumentasse hoje enquanto a farinha na realidade não aumentou”, explicou.  Para este comerciante, não ha razão para assumir aumentos no imediato: “Não quero ser o primeiro a aumentar, prefiro acompanhar os próximos desenvolvimentos e esperar que, de facto, a farinha aumente para poder ajustar os meus preços”.

No mercado do Triunfo, a explicação que obtivemos das revendedoras foi a mais simples: "não aumentamos o pão porque o preço na padaria também não aumentou”.

Recorde-se que, segundo o comunicado da Associação de Panificadores de Moçambique, o" preço do pão aumentou porque a farinha também aumentou". A verdade é que, em vários pontos de venda, o aumento de preço do pão não corresponde ao estipulado pela Associação (um metical), tendo aumentado três meticais. A boa nova é que as tradicionais “bolinhas” continuam mais baratas e custam entre dois a três meticais por cada unidade, sendo uma boa alternativa para as famílias numerosas.

O que muda na vida dos moçambicanos?

Com a subida de preços dos produtos e serviços e como consequência disso, o aumento do custo de vida, os moçambicanos vêem-se agora obrigados a “rever” as suas despesas.

Moçambique, tal como alguns países de África, é um país em vias de desenvolvimento. A cesta básica desenhada para fixação do salário mínimo nacional é composta por arroz, farinha de milho, oleo vegetal, açucar, amendoim, feijão manteiga, peixe, sabão, hortofrutícolas e, finalmente, o pão. O cabaz para o sustento de um agregado familiar com cinco pessoas durante um mês, custava até o mês passado 5229 meticais, pondo de lado despesas de higiene, transporte, carne vermelha e entretenimento.

O salário mínimo ajustado na última Concertação Social em Abril deste ano, é de 1680 meticais, longe dos 6000 meticais que propunha a OTM-Central Sindical.

Um estudo desenvolvido em 2009, sobre a Relatividade da Pobreza Absoluta e Segurança Social em Moçambique, revela que 90% dos moçambicanos (cerca de 19 milhões da actual população de Moçambique) vivem com menos de 50 meticais por dia e 75% (15 milhões) vivem com menos de 31 meticais por dia segundo os indicadores de pobreza internacionais.

SP

Sapo MZ

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