Os debates sobre a igualdade de género e a inclusão social continuam a nortear os debates no 2º Grande Fórum Económico e Social de Moçambique, MOZEFO 2017.

A activista social, Graça Machel, defendeu esta quinta-feira que o movimento de igualdade de direitos e oportunidades deve ser abraçado por toda a sociedade e não só pelas mulheres.

A antiga Ministra da Educação diz não entender a sobrevalorização do homem em relação à mulher, sendo que ambos “são feitos da mesma matéria”.

“A hierarquização do valor que se atribui ao homem está na origem, por exemplo, do facto que as mulheres recebam menos pelo mesmo trabalho realizado por ambos”, sublinhou.

Graça Machel defende a criação de uma estratégia clara para a desconstrução da linguagem no conceito de igualdade de género, que englobe as diferentes faixas etárias, por se tratar de uma luta de gerações.

“A maneira que estamos a transmitir as mensagens não é suficientemente clara por isso gera confusão. Não dizemos que os homens e as mulheres são iguais. Estamos dizer que na dignidade humana eles têm igualdades, o mesmo valor. Há que se respeitar este facto. Provavelmente não vamos ver as mudanças que queremos nos próximos cinco, dez anos, mas a mudança vai acontecer paulatinamente, pois buscámos a justiça social, que não existe onde se discrimina”.

Reconheceu, entretanto, os esforços de Moçambique na luta pela equidade de direitos e oportunidades, baseada no género, ressalvando que se deve melhorar alguns aspectos.

“Há três países africanos que têm merecido destaque na igualdade de tratamento a homens e mulheres. Temos a Tanzania que concede igual salário pelo mesmo trabalho a 95% dos seus trabalhadores, a seguir Botswana com 85 e, finalmente, Moçambique com 80% de homens e mulheres a receberem o mesmo salário pela realização do mesmo trabalho. Estamos num bom caminho, mas nada impede que cheguemos a 100%”.

O conhecimento é o nivelador da plataforma a partir da qual se pode implementar a igualdade do género

Graça Machel aponta como ferramenta indispensável para o alcance efectivo da igualdade de direitos, o reforço das políticas de acesso da mulher ao conhecimento.

Segundo a fonte, apenas 37% em 100 meninas que entram para o ensino secundário, em Moçambique,  conseguem completar a nível. O cenário torna-se mais crítico se analisado a nível do continente, onde os casamentos prematuros e a hierarquização que favorece os homens parecem obstáculos intrasponíveis.

“Em África, se 75% das meninas em escolarização concluem o nível primário, apenas 8% terminam o secundário. Deste universo, um número ainda menor consegue concluir o nível superior. É preciso garantir que todas as mulheres completem a escolaridade”, disse.

As empresas públicas têm maior obrigação no empoderamento das mulheres: O exemplo de Luísa Diogo.

O 4º painel do MOZEFO 2017 abordou “O Conhecimento como Acelerador da Igualdade do Género”.

Graça Machel realçou a importância de incentivar as mulheres a estudarem as disciplinas que marcam o diferencial na satisfação das necessidades do país, apontando, como exemplo, o sucesso da antiga Primeira-Ministra, que se dedicou às ciências exactas.

“Ela (Luísa Diogo) não teve medo dos números. Temos de tomar, deliberadamente, a iniciativa de estimular as meninas a encararem as ciências exactas com o mesmo entusiasmo  que se agarram às disciplinas das ciências sociais”, disse a activista, acrescentando que é responsabilidade do sector público reconhecer o talento das mulheres e colocá-las no lugar certo, onde possam converter o seu conhecimento a favor do país.

“Mais do que a inteligência de Luísa Digo, que já progredia numa carreira brilhante, valeu o bom senso do (ex)Presidente Joaquim Chissano, que soube reconhecer a capacidade naquela mulher, confiando-lhe o cargo de Primeira-Ministra”, destacou.

António Monjane | SAPO


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