A investigação baseia-se nos dados da contagem paralela do Instituto Eleitoral para Democracia Sustentável em África (EISA), que abrangeu 2507 das 20 162 mesas de voto espalhadas pelo país (12,4%).

Enchimento de urnas, falso recenseamento, votos retirados à oposição foram algumas das irregularidades constatadas pelo CIP neste estudo sobre a inflação de votos na eleição presidencial realizada a 15 de Outubro em Moçambique:

“Flagrante enchimento de urnas, medido pelo nível de afluência excepcionalmente alto e elevado número de votos para um candidato, deu à Frelimo mais de 90 000 votos extra. Como em eleições anteriores, as províncias de Tete e Gaza tiveram o maior registo de enchimento de urnas; em cada uma destas províncias, houve enchimento de urnas em larga escala em mais de 20% das mesas de voto”.

“Votos extraídos de um candidato através da sua inutilização, ou através da sua inclusão na lista de votos em branco ou nulos retiraram 61 000 votos à oposição. Situação recorrente Tete, Zambézia e Nampula”.

“Aproximadamente 58 000 eleitores votaram para a Presidência da República sem, no entanto, terem votado para a Assembleia da República, mas ninguém terá visto eleitores a colocar apenas um boletim de voto numa urna e não na outra. Isto é também enchimento de urna para a eleição presidencial”.

“O STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) estabeleceu metas baixas dos eleitores a serem inscritos e um número inferior de brigadas para recensear pessoas na província da Zambézia, o que, segundo estimativas do Boletim, custou à oposição 45 000 votos”.

“O escândalo mais discutido nestas eleições foi a manipulação dos dados do recenseamento em Gaza, onde 1 166 001 eleitores foram registados, número que supera em 329 430 o total da população com idade para votar em Gaza. Eleitores que se registaram, mas não deveriam existir (“eleitores fantasmas”) realmente votaram e, segundo cálculos do Boletim, 161 641 destes “fantasmas” votaram efectivamente a favor de Filipe Nyusi”.

“O círculo eleitoral da África do Sul teve um índice elevado de sobre-recenseamento e eleitores “fantasmas”, os quais deram a Nyusi 62 260 votos extra”.

Conclui o CIP que se os “eleitores fantasmas” contabilizados fossem excluídos, a Renamo “poderia ter ganho cinco assentos adicionais” na Assembleia da República.

O Boletim Especial sobre Inflação de Votos ressalva que “o estudo apenas identificou espécies de grande transgressão e sugere que ilícitos de pequena escala – poucos votos introduzidos na urna ou pequenas alterações nos editais – possam ter acontecido em várias mesas de voto”. Facto que teria, igualmente, grande impacto no resultado final.

Por último, diz a organização da sociedade civil que nas mesas de voto onde não havia observadores, o número de votos a favor de Nyusi foi mais elevado.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.