O primeiro hino nacional, “Viva Viva a Frelimo”, foi feito numa noite, faltando alguns dias para a independência, e à medida do monopartidarismo vigente na altura, mas conseguiu sobreviver a mais 12 anos de multipartidarismo, até 2002.

Em entrevista que concedeu em 1999 ao Notícias, o autor do “Viva Viva a Frelimo”, maestro Justino Chamane, conta que só a inspiração permitiu que escrevesse a letra e concebesse a melodia da canção com a urgência com que milhões de moçambicanos esperavam pelo nascimento do novo país.

“Criei o hino nacional em apenas uma noite. Faltava muito pouco tempo para o 25 de Junho e pediram-me com a máxima urgência uma outra proposta. Na noite desse mesmo dia, que já não tenho em mente, criei a letra e a melodia da canção que temos como hino nacional”, narrou Chemane, falecido em 2004.

A escolha do primeiro hino nacional acabou por ser feita por uma espécie de ajuste directo, porque a Frelimo, rejeitou todas as propostas apresentadas num concurso lançado para o efeito, contou o autor do “Viva Viva a Frelimo”.

“Durante o tempo da transição para a independência, foi aberto um concurso público para se criar um hino para Moçambique independente. Considerável número de cidadãos concorreu, mas nenhuma das suas propostas foi selecionada”, pode ler-se na entrevista que o maestro Chemane concedeu ao Notícias.

A segunda opção também não foi fácil. A primeira proposta do autor foi “Kindlimuka Moçambique”, o mesmo que “Ergue-te Moçambique”, na língua changana, falada no sul do país, foi rejeitada, para dar lugar a um hino que exalta o partido “Guia do povo moçambicano”, como o “Viva a Viva”, descreve a Frelimo no hino que acabou colhendo o consenso do movimento libertador.

Apesar de dividido por 16 anos de guerra civil, que começou dois anos após a independência do país, o “Viva Viva a Frelimo” continuou a exaltar o “povo unido, desde o Rovuma ao Maputo”,

“Na luta contra o imperialismo”, Moçambique continuou “engajado no trabalho”, acreditando que “a riqueza sempre brotará”, antecipando o advento do gás e do carvão, que o país tem descoberto em abundância nos últimos anos.

Lusa

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