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Moçambique deve garantir que receitas do gás chegam à população - dirigente do Banco Mundial

16 de Junho de 2017, 15:38

Maputo, 16 jun (Lusa) - A moçambicana Clara de Sousa, dirigente do Banco Mundial, avisou hoje que Moçambique deve garantir que as receitas dos novos projetos de gás natural satisfaçam as aspirações da população, sob pena de haver resultados adversos.

"Uma gestão pouco transparente nos recursos naturais é receita para desastre. Nós encontramos exemplos vários em que, entre outros, aspirações não correspondidas e falta de transparência podem levar a problemas, incluindo conflitos", referiu.

Clara de Sousa, diretora do Banco Mundial para Angola e São Tomé e Príncipe, falava na qualidade de convidada para a abertura das jornadas científicas do Banco de Moçambique, na Matola, arredores de Maputo.

O país vai começar a exportar gás natural da Bacia do Rovuma dentro de cinco anos com um consórcio que poderá entregar 16 mil milhões de dólares ao Estado em 25 anos - "um aperitivo", dizem os promotores, visto que os maiores projetos ainda estão para vir.

Ao mesmo tempo, Moçambique caiu em descrédito quando há um ano foram descobertas dívidas ocultas de empresas estatais no valor de 1,4 mil milhões de dólares, num país em que os níveis de pobreza da população continuam entre os piores do mundo.

"O desafio é prepararmo-nos" porque "em termos de gestão macroeconómica, um influxo [de receitas] como o que pensamos que haverá com o gás, vai trazer complicações e temos que estar prontos", acrescentou.

As complicações são desafios de gestão: a chegada dos megaprojetos de exploração dos jazigos da Bacia do Rovuma são uma "grande bonança".

"Sem dúvida, pelos números que vejo, o gás vai transformar completamente este país", sublinhou Clara de Sousa.

"Teremos receitas anuais nos cofres do Estado muito mais elevadas do que qualquer coisa que nós tivemos que gerir até agora. Isso leva a que seja preciso acautelar decisões, não só de como usar o dinheiro em determinado período, mas, em particular, de como acautelar a distribuição entre gerações", destacou.

Para que os benefícios "desta e de outras indústrias extrativas" cheguem a toda a sociedade, "será preciso melhorar as ligações entre grandes investimentos e empresas locais, contribuindo assim para a diversificação da economia e a criação de emprego".

O gás natural foi apenas um dos temas na intervenção de Clara de Sousa, que deu ênfase à necessidade de, ao crescimento económico do país, ter de corresponder em igual proporção um combate aos níveis de pobreza - algo que não se tem verificado, concluiu.

LFO // FPA

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