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Agrava-se tensão entre Governo de Moçambique e Renamo

04 de Abril de 2013, 15:49

Maputo, 04 abr (Lusa) - A tensão entre o Governo de Moçambique e a Renamo, principal partido da oposição, agravou-se nas últimas horas, com a retórica a ceder lugar a confrontos armados, que já causaram cinco mortos e vários feridos.

Depois de ações de desalojamento pela polícia de militantes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) de sedes partidárias nas províncias de Manica e Sofala, no centro, o antigo movimento rebelde retaliou e, na noite de quarta-feira, assaltou uma sede policial em Muxunguè, numa ação que causou cinco mortos, quatro polícias e um comandante da Renamo.

No último fim de semana, o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, anunciou que o seu partido "está pronto para a guerra", declaração que provocou a advertência por parte do Governo que não vai tolerar o "pisar do risco" da legalidade.

A Renamo mantém que vai impedir a realização de eleições no país, cujo ciclo começa em 20 de novembro, com as autárquicas, contestando a forma como são compostos os órgãos eleitorais, numa lei aprovada este ano, com os votos da maioria da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência, em 1975, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, oposição).

No momento da votação, a Renamo abandonou o plenário e, desde então, tem ameaçado que não autoriza o trabalho dos delegados eleitorais no terreno.

Afonso Dhlakama, que lidera a Renamo desde 1979, está desde outubro passado aquartelado numa antiga base do movimento na serra da Gorongosa, centro do país, exigindo, sem sucesso, que o Presidente da República, Armando Guebuza, ali se dirija para negociar um "Governo de unidade nacional".

Diversas fontes disseram à Lusa ter assistido nos últimos dias à concentração de veículos e efetivos militares na zona onde se encontra Dhlakama, mas a informação foi desmentida pelo administrador da vila da Gorongosa.

Em Maputo, a embaixada norte-americana tem estado ativa nos apelos a Dhlakama para que reconsidere o boicote eleitoral.

"O povo merece eleições transparentes, livres e inclusivas e mais alternativas. A não-participação da Renamo limita as alternativas", disse, no final de março, o embaixador dos EUA Douglas Griffits.

Pelo contrário, a União Europeia, o principal financiador das eleições em Moçambique, não expressou qualquer posição pública sobre a situação e, hoje, uma fonte da sua delegação em Maputo, disse à Lusa não haver ninguém autorizado a comentar o caso, uma vez que o embaixador responsável pela missão, o irlandês Paul Malin, se encontra ausente do país.

LAS // VM

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