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País ainda tem perfil "desconhecido" para os norte-americanos

18 de Março de 2011, 16:11

Rio de Janeiro, 18 mar (Lusa) -- O Brasil ainda tem um perfil "desconhecido" para o americano e a burocracia é um problema para viver no país, conta à Lusa o norte-americano Christopher Gaffney que vive no Rio de Janeiro há quase dois anos.

"Vir e viver no Brasil é difícil para um americano padrão acostumado ao conforto", diz o investigador e professor universitário Christopher Gaffney, 40 anos, que deixou tudo nos Estados Unidos para trás e se decidiu por fazer a vida em terras brasileiras.

O Brasil ainda é visto como uma "aventura", admite o geógrafo que também destaca a barreira burocrática de documentos e vistos para residir.

No país que o Presidente Barack Obama vai visitar sábado e domingo, vivem cerca de 67 mil americanos, segundo estimativas do FBI, a polícia federal dos EUA.

Desde que a crise económica engrossou as fileiras de desempregados em 2008, os EUA ainda não conseguiram recuperar e a taxa de desemprego ronda os nove por cento.

Cada vez mais cidadãos americanos veem oportunidades profissionais no Brasil. Quase seis mil americanos obtiveram vistos de trabalho no Brasil entre janeiro e setembro de 2010, informam dados do Ministério do Trabalho do Brasil.

O norte-americano de Carolina do Norte é exemplo dessa tendência. Gaffney considera o Brasil como um "refúgio económico".

"Não existe trabalho para professores nas universidades nos EUA. Me candidatei para mais de 80 vagas e não consegui", lembra.

Mesmo assim, Gaffney considera que ainda são "poucos os que vêm para cá e que largaram tudo", como ele próprio fez.

Hoje Gaffney faz investigações sobre a memória social e urbana das construções de estádios de futebol, como o Maracanã.

Como um grande conhecedor e fã do futebol, ele diz que se encontrou no Rio de Janeiro. "Hoje sou vascaíno", garante.

Gaffney não pensa em retornar aos EUA, o seu contrato temporário como professor visitante numa universidade vale para os próximos três anos, depois ele pretende fazer concurso para tornar-se professor efetivo.

"Eu quero ficar aqui mais 10 anos", ressalta. O imigrante norte-americano já tem planos para permanecer no Rio para o Mundial de 2014 e também para os Jogos Olímpicos.

Atualmente está a escrever dois livros sobre estes dois eventos mundiais que vão atrair os olhos do mundo nos próximos cinco anos.

"O americano que vem abre um mundo totalmente diferente. Aqui o ritmo de vida é mais relax, os brasileiros são mais abertos e carinhosos do que nos EUA, o calor humano é maior".

Mesmo assim, argumenta que não se pode generalizar o brasileiro, pois "o carioca é diferente de um mineiro que é diferente de um paraense".

O estudioso e crítico da cultura norte-americana vê com bons olhos a vinda do Presidente Barack Obama ao Brasil, nos próximos 19 e 20, e a retomada das relações com os países da América do Sul.

"É estratégico, os EUA tinham perdido muito nas relações com a América Latina no período de Bush. O fortalecimento da economia brasileira também está a puxar essa aproximação. O Obama já vê o Brasil como uma potência", afirmou.

FO.

Lusa/fim


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