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Polícia brasileira investiga rede de corrupção nos transportes do Rio de Janeiro

14 de Novembro de 2017, 15:13

A Polícia Federal do Brasil iniciou hoje uma operação contra uma rede, que envolve políticos e empresários, suspeita de desvio de dinheiro do sector dos transportes públicos no estado do Rio de Janeiro, segundo fontes oficiais.


Esta operação é um desdobramento das investigações da Lava Jato e procura cumprir seis ordens de detenção preventiva, quatro de prisão temporária e 35 de busca e apreensão.

Entre os mandados de prisão incluem-se os emitidos contra o empresário Jacob Barata Filho, do ramo do sector de transportes, e contra Felipe Picciani, um dos filhos do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani.

Há também ordens de prisão contra Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação de Empresas de Transporte de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor) e outros empresários do sector dos transportes.

Além disso, a Justiça brasileira está a fazer buscas nos escritórios dos deputados estaduais Paulo Melo e Edson Albertassi, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Jorge Picciani, um dos políticos mais influentes do Rio de Janeiro, é acusado de receber subornos da Fetransport e foi levado para a sede da Polícia Federal para prestar depoimento.

Esta é a maior operação anticorrupção no estado do Rio de Janeiro desde a prisão do ex-governador Sérgio Cabral, há um ano atrás, acusado de ter desviado centenas de milhões de dólares durante seu mandato (2007-2014).

De acordo com o Ministério Público brasileiro Sérgio Cabral, também do PMDB, uma formação liderada pelo presidente brasileiro, Michel Temer, teria iniciado o esquema de corrupção desmantelado hoje na década de 1990, quando era presidente do Alerj e, posteriormente, foi substituído no comando do esquema de corrupção por Melo e Picciani.

As investigações começaram há seis meses e o Ministério Público brasileiro acusa os empresários do sector dos transportes de pagar subornos a deputados estaduais para estes facilitarem decisões a seu favor na Alerj.

Um dos envolvidos na operação de hoje, Edson Albertassi, líder do governo na Alerj, foi nomeado pelo governador Luiz Fernando Pezão como um membro do Tribunal de Contas do Estado.

O Ministério Público brasileiro suspeita que essa indicação seja uma manobra para a rede de corrupção retomar o espaço perdido depois que vários Conselheiros do Tribunal de Contas terem sido afastados dos seus cargos este ano, numa outra operação anticorrupção.

Em Julho, o empresário Jacob Barata Filho, filho de Jacob Barata, conhecido como "o rei do ônibus" e proprietário da maior frota de transportes do estado; Lélis Teixeira e outras 11 pessoas foram presas em uma operação contra o pagamento de subornos às autoridades do Rio de Janeiro.

Barata Filho e Teixeira foram libertados em Agosto graças a uma decisão controversa do juiz do Tribunal Supremo brasileiro, Gilmar Mendes, que foi padrinho do casamento de um dos filhos do empresário.

Lusa

 


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