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Exploração de florestas pode provocar desertificação nalgumas áreas de Moçambique

13 de Novembro de 2017, 14:59

A exploração indiscriminada de recursos florestais coloca algumas zonas de Moçambique em risco de desertificação, alertou hoje a Procuradoria-Geral da República moçambicana.


"A situação agora é alarmante, porque há zonas do país que caminham para a desertificação", afirmou o director do Gabinete de Interesses Colectivos e Difusos da PGR, Albino Macamo.

Aquele responsável falava em conferência de imprensa, no âmbito de um encontro sobre florestas que vai decorrer quarta e quinta-feira, em Maputo.

Sem referir números, nem áreas afectadas, Albino Macamo apontou a cumplicidade entre as várias entidades responsáveis pela protecção dos recursos florestais como a principal causa da exploração ilegal.

"Os crimes ambientais fazem-se ao ar livre e há vários actores, que incluem aqueles que não estão licenciados" e "as próprias comunidades", declarou.

O corte ilegal da madeira, prosseguiu, está a prejudicar a reprodução das espécies florestais, devido à violação das regras de abate.

Albino Moisés disse que é cada vez maior o envolvimento das comunidades no abate de espécies de maior valor económico, apesar de as populações tirarem pouca vantagem com a actividade, devido ao desconhecimento da actividade.

"O argumento de que as comunidades beneficiam da madeira não é real, elas precisam de abater muitas árvores" para conseguir obter o mesmo resultado que um operador licenciado, que já conhece o terreno, afirmou.

O director do Gabinete de Interesses Colectivos e Difusos da PGR assinalou que o país conta com um quadro legal avançado na protecção dos recursos florestais, falhando no cumprimento da lei.

"O quadro legislativo moçambicano é perfeito em termos de regulamentação da exploração florestal", sublinhou Albino Macamo.

A protecção dos recursos florestais, continuou, não pode ser feita através de campanhas transitórias, mas através de um trabalho amplo e consistente.

Qualificando a situação que se vive no país como uma "emergência", aquele responsável afirmou que a conferência sobre florestas visa promover um compromisso nacional em torno da protecção dos recursos florestais.

No encontro, vão participar magistrados moçambicanos, governadores das 11 províncias do país, administradores das zonas mais afectadas, académicos e representantes do governo central e deputados da Assembleia da República.

"No final, vamos ter uma declaração de Maputo, um compromisso nacional de todas essas entidades sobre as florestas", acrescentou Albino Macamo.

Magistrados da China também foram convidados para a conferência, uma vez que este país é o principal destinatário da madeira exportada ilegalmente por operadores moçambicanos.

Lusa

 


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