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Milhares marcham contra violência armada na vila de Mocímboa da Praia

12 de Outubro de 2017, 17:44

As ruas que há uma semana estavam desertas devido a confrontos armados, hoje encheram-se com milhares de pessoas numa marcha pela paz na vila de Mocímboa da Praia, no Norte do país.


A vida voltou à normalidade, lojas, serviços e instituições públicas reabriram, enquanto as autoridades continuam a averiguar a origem do grupo armado de 30 elementos que na madrugada de 5 de Outubro abriu fogo sobre postos de polícia da localidade costeira e arredores, na província de Cabo Delgado.

Dos tiroteios que se prolongaram por mais de 24 horas resultaram 17 mortos - 14 atacantes, dois polícias e um civil, de acordo com dados da Polícia da República de Moçambique (PRM) - e um número indeterminado de feridos.

A PRM anunciou na Terça-feira que tinha detido 52 pessoas relacionadas com o ataque, mas fonte policial disse à Lusa em Mocímboa da Praia que parte deles já tinha sido libertada após averiguações.

A marcha de hoje fez com que a principal avenida da vila se transformasse num mar de gente até ao recinto da Escola Primária Completa 30 de Junho, palco de uma cerimónia final que juntou líderes de diferentes religiões (igreja Católica, evangélicos e Islão) e em que todos discursaram em defesa da paz.

O grupo armado que há uma semana ameaçou a vila usava vestes e gritava expressões de índole islâmica e incluía membros de um grupo de Mocímboa da Praia que defendia uma visão radical da religião.

Um Islão "que não existe", destacou o administrador do distrito, Rodrigo Puruque, ele próprio muçulmano, como a maioria da população, e que acusa "os bandidos" de usaram a religião como capa, para traírem "os seus irmãos".

Hoje, a mesquita que os atacantes ocupavam num bairro de Mocímboa da Praia está vazia e Puruque quer acabar também com a burca integral.

"Ninguém pode tapar a cara", referiu no discurso.

Ao mesmo tempo, pedia para ninguém renunciar a outros traços de identidade por receio de ser confundido com um atacante da vila.

"Eu não vou deixar de usar a minha barba", concluiu.

Apesar da multidão que hoje se juntou em Mocímboa da Praia, há residentes que continuam escondidos no mato, para onde fugiram, abandonando as casas, na sequência dos tiroteios, disse à Lusa uma fonte local.

SAPO


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