Página gerada às 18:25h, quarta-feira 18 de Outubro

Verónica Macamo apela em Lisboa ao investimento português

12 de Outubro de 2017, 17:41

A presidente do Parlamento, Verónica Macamo, apelou hoje, em Lisboa, ao investimento português em Moçambique, argumentando que a economia do país "começa a dar sinais de retoma" e a permitir estabilizar a macroeconomia.


Verónica Macamo falava durante a conferência "Construir o Futuro Moçambique Portugal", promovida pela Câmara de Comércio Portugal - Moçambique, na presença do secretário de Estado da Internacionalização português, Eurico Brilhante Dias, e de dezenas de empresários que lotaram o auditório da Culturgest, em Lisboa.

"Há disponibilidade dos dois países e tem agora de se definir oportunidades. A economia moçambicana vai recuperando da crise, provocada pela baixa de preço das matérias-primas, pelas calamidades naturais, pela instabilidade (político-militar) ", exemplificou Macamo, destacando a baixa da inflação e a desvalorização do metical (moeda nacional) em relação ao dólar, ao euro e ao rand.

Segundo a presidente do Parlamento moçambicana, a economia do país "dá sinais de retoma", contando, para tal, com um maior rigor orçamental e maior contenção de despesas públicas e a estabilização macroeconómica.

Por outro lado, salientou, o aumento da produção das matérias-primas, conjugado com o fim da baixa nos preços, a "transparência" do mercado, a baixa nas taxas de juro e a diminuição da inflação "já se sente" entre a população.

No apelo aos empresários portugueses, Verónica Macamo argumentou também com o "aumento" das reservas internas, o que "inverteu a tendência negativa", e do investimento estrangeiro, lembrando as muitas empresas portuguesas a operar em Moçambique e as perspectivas do carvão, gás ("em breve") e petróleo ("se Deus quiser").

Sobre a "sombra" que paira na credibilidade das autoridades moçambicanas, nomeadamente no caso relacionado com as "dívidas ocultas" de Moçambique, Verónica Macamo desdramatizou-o, destacando que a Comissão de Inquérito Parlamentar entretanto criada já entregou o relatório à Presidência da República, que está agora a analisá-lo.

O escândalo das "dívidas ocultas", tal como ficou conhecido, remonta a Abril de 2016, e foi divulgado pelo Wall Street Journal, que deu conta de um empréstimo escondido de 622 milhões de dólares da ProIndicus e de mais 535 milhões da MAM, ambos com garantias do Estado moçambicano.

Nesse sentido, e perante os empresários portugueses presentes na conferência, Verónica Macamo mostrou-se optimista, sobretudo por o novo governo moçambicano, liderado por Filipe Nyusi, tem focado a atenção económica em quatro eixos: agricultura, energia, turismo e infra-estruturas.

Ao mesmo tempo, acrescentou, criar-se-á emprego e, com o apoio à formação de quadros, haverá um panorama mais desanuviado para os jovens.

Por seu lado, Eurico Brilhante Dias, lembrando que Portugal considera Moçambique "um parceiro de todos os tempos e de todos os momentos", admitiu existirem dois factores - informação e financiamento - que estão a dificultar um reforço "mais eficiente" do comércio bilateral.

"Se formos capazes de reforçar estes dois pilares, estaremos em melhores condições de atingir os objectivos políticos e a ambição que temos, que é a de reforçar mais empresas portuguesas e moçambicanas nos dois mercados, criando emprego", sublinhou Eurico Dias.

Segundo o governante português, além do reforço político e do sinalizar prioridades, terá de se perceber onde estão os "grandes ‘gaps'", quais os "grandes estrangulamentos" que não permitem que o relacionamento económico e comercial possa atingir os níveis ambicionados.

"Para uma parte do tecido empresarial português, não há ainda uma percepção ou um quadro de referência claro sobre as oportunidades, os parceiros e aquela que é a informação de mercado mais fina, que é central para diminuir o risco e planear bem um processo de internacionalização", disse.

O segundo aspecto, acrescentou, tem a ver com o financiamento do processo.

"Portugal tem restrições financeiras que são conhecidas. Mas podemos aproveitar as pontes. O sistema financeiro moçambicano tem uma forte ligação ao português - dois bancos moçambicanos com uma quota substantiva têm accionistas portugueses (BCI e Millennium BIM) - e temos de ser capazes de juntar estes recursos a outros disponíveis e utilizá-los de forma mais inteligente", concluiu.

SAPO


Comentários

Critério de publicação de comentários