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Ex-presidente egípcio Mohamed Morsi continua praticamente isolado na prisão, revela denúncia

19 de Junho de 2017, 09:44

O ex-Presidente egípcio Mohamed Morsi continua praticamente isolado na prisão, sem visitas de advogados ou de familiares, apesar da deterioração do estado de saúde, denunciou hoje a Human Rights Watch.

A organização de defesa de direitos humanos disse que Morsi recebeu apenas duas “breves visitas” de familiares e advogados desde que foi destituído do cargo de Presidente na sequência do golpe de Estado, em 2013.

Segundo a Human Rights Watch as condições em que Morsi se encontra preso vão contra o direito à defesa das inúmeras acusações judiciais, assim como podem contribuir para o agravamento do estado de saúde do antigo chefe de Estado.

Familiares do ex-Presidente disseram à Human Rights Watch que, na primeira semana de junho, o político, de 68 anos, desmaiou duas vezes e sofreu um ataque de diabetes.

O diretor-adjunto da Human Rights Watch para o Médio Oriente e Norte de África refere em comunicado que a situação em que se encontra Mohamed Morsi é um exemplo “das terríveis condições em que se encontram milhares de presos políticos no Egito”.

A mulher e uma filha de Morsi foram autorizadas a visitar o ex-Presidente durante 30 minutos no passado dia 04 de junho, pela primeira vez, desde novembro de 2013, mas os restantes quatro filhos não foram autorizados a visitar o pai.

No dia 04 de junho, as autoridades também autorizaram a entrada de um advogado – durante 10 minutos – tratando-se da primeira visita de caráter judicial desde janeiro de 2015.

Morsi foi condenado à morte por, alegadamente, ter tentado fugir, tendo sido depois sentenciado a cadeia perpétua, que no Egito corresponde a 25 anos de prisão, por conspiração e espionagem.

Ambas as acusações foram anuladas depois de os advogados terem apresentado um apelo a um tribunal do Cairo que ordenou a repetição do julgamento.

Morsi, três jornalistas e outras sete pessoas foram também condenados num outro caso de espionagem relacionado com a entrega ao Qatar de documentos sobre segurança de Estado, em 2012.

Um outro tribunal condenou Morsi a 20 anos de cadeia no caso sobre uso de violência policial que causou a morte a vários manifestantes durante os protestos de 2012, frente ao Palácio Presidencial de Itihadiya, no Cairo, e que marcaram o início do afastamento do Presidente.

Morsi é membro da Irmandade Muçulmana, organização que conseguiu o poder após a vitória nas eleições de 2012 no Egito, tendo sido declarada como organização terrorista após o golpe de Estado, um ano depois.

Lusa

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