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Moçambique enfrenta suspensão da Convenção de Espécies Ameaçadas

24 de Março de 2014, 13:48

Moçambique poderá ser suspenso da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) depois de ter falhado a entrega de um relatório com medidas para travar a caça furtiva de rinocerontes, noticia hoje a imprensa sul-africana.


De acordo com Colman O'Criodain, analista de políticas comerciais da organização ambiental Fundo Mundial para a Natureza (WWF), citado pela imprensa sul-africana, Moçambique pode ser suspenso da CITES já em julho, durante a próxima reunião do comité da organização internacional.


Moçambique e o Vietname, considerados pela CITES como os piores países do mundo em termos do comércio ilegal de corno de rinoceronte, foram notificados, em março do último ano, para apresentarem, até ao final de janeiro, um relatório com novas políticas de prevenção de caça furtiva de rinocerontes, pedido esse a que apenas o país asiático respondeu.


"Moçambique não respondeu e o grupo de trabalho [da CITES] terá que decidir como reage", disse O'Criodain, acrescentando que a WWF "não tem conhecimento de medidas concretas no terreno" tomadas pelo Governo moçambicano sobre esta matéria.


O país integrou a CITES em 1981 e, segundo o analista, a sua suspensão poderá ter sérias repercussões no "comércio de peles de répteis e na caça de troféus [animais em reservas para o efeito]", com consequências na atividade turística do país.


A caça furtiva de rinocerontes no Parque Nacional do Kruger, da África do Sul, através do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo, no qual se cruzam ainda o território moçambicano e zimbabueano, tem aumentado exponencialmente ao longo dos últimos anos, com as autoridades sul-africanas a acusarem Moçambique de nada fazer para o impedir.


Em 2013, pelo menos 1.004 rinocerontes foram abatidos ilegalmente na África do Sul, dos quais 606 no Kruger, onde se estima que 90 por cento da proveniência dos caçadores furtivos seja Moçambique.


No Parque Nacional do Limpopo, território moçambicano contíguo à reserva do Kruger, os rinocerontes foram já oficialmente decretados como extintos, o que pode explicar as investidas dos caçadores moçambicanos no país vizinho, ainda que sob a ameaça de "primeiro disparar, depois avisar", que as autoridades sul-africanas, entretanto, assumiram.


Numa investigação publicada no último ano, o jornal O País calculou que, entre 2008 e 2013, mais de 280 cidadãos moçambicanos foram mortos pelas autoridades sul-africanas quando caçavam ilegalmente no Parque Nacional do Kruger, o maior do continente africano, que recebe anualmente cerca de 950 mil turistas.


Lusa

 

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