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Ao anoitecer voltaram os tumultos

01 de Setembro de 2010, 19:27

Depois de os conflitos terem acalmado um pouco durante a tarde, com o anoitecer voltaram a ouvir-se pela cidade de Maputo tiros e com o reforço da vigilância voaram helicópteros por toda a região de Maputo.

Ao contrário do que se vive no centro da cidade, onde “o silêncio é atroz” e “as pessoas caminham caladas”, segundo a jornalista Mafalda Brízido em Moçambique, é nos bairros periféricos que os conflitos voltaram a acentuar-se. Os bairros do Zimpeto, Malanga e do Coop são agora pontos de conflito.

O balanço dos confrontos

Vários são os hospitais que recebem feridos vítimas de balas e agressões.

Duas crianças estão em estado grave no Hospital Central devido a ferimentos de balas. João Almada, jornalista e  director do jornal "A Verdade", encontrou-as no bairro da Malhangalene, centro de Maputo, e transportou as vítimas no seu carro pessoal  para o maior centro  hospitalar da capital.

Armando Guebuza falou há pouco ao país (ver vídeo), depois de o balanço provisório dar conta de dez mortos em Moçambique. 

Os protestos contra o aumento dos preços em Maputo, Moçambique, já terão feito pelo menos dez mortos e mais de cinquenta feridos, avança fonte da polícia ao ‘País on-line'.

Por toda a cidade o cenário repetiu-se: carros apedrejados, pneus incendiados, lojas saqueadas, estradas cortadas para impedir a circulação dos automóveis e transportes públicos.

A manifestação foi convocada através de uma mensagem que circulou por sms. Os protestos contra o aumento dos preços dos bens essenciais começaram nos arredores de Maputo, mas estenderam-se ao centro da cidade. Ao início da tarde, a situação já estava mais calma.


Reacções oficiais

As declarações do Ministro do Interior, José Pacheco, à rádio Moçambique enfureceram ainda mais os manifestantes. O ministro classificou como "vandalismo" os protestos contra o aumento de preços, devido aos saques aos estabelecimentos comerciais, e afirmou tratar-se de actos "ilegais". Os manifestantes acusaram a polícia de "agir de maneira criminosa disparando directamente para a população”.

Os canais de televisão nacionais estão a emitir, em directo, todos os acontecimentos. As chamadas caem em catadupa, o que mostra o envolvimento dos cidadãos no apelo à calma. Algumas pessoas aproveitaram a ocasião para saquear casas, bancos, ou incendiar carros, tal como aconteceu em Fevereiro de 2008.

O Consulado de Portugal, em comunicado à comunidade portuguesa, informou que durante todo o dia tem estado atento «a situações em que cidadãos portugueses se vissem potencialmente envolvidos».


Voltaram os conflitos ao início da noite

No centro da cidade, ao longo da tarde, algumas pessoas tentaram retomar a sua actividade mas, como não há qualquer ponto em que seja possível passar, desistiram.


A cerca de 400km, na Beira, a situação também se agravou. Junto a um liceu alguns populares pegaram fogo a pneus e construíram barricadas. Todavia, a acção da polícia foi bem mais eficaz, já que não existiu o factor surpresa desta manhã.


Depois da intervenção oficial do ministro do Interior José Pacheco,  a vigilância foi intensificada com tropas na rua, embora ainda não tenha sido decretado o recolher obrigatório.


SAPO MZ

 

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