À hora marcada para o começo do espectáculo, 23h, o D Lounge do Casino do Estoril já estava composto. Perto do palco e sentado à mesa, encontrava-se um público que esperava um espírito intimista do concerto. Distante, "mas perto no coração", estava outro público mais festivo, com vontade de dançar e ver uma Mayra mais "solta".Entre aplausos e meio reservada, Mayra subiu ao palco do casino. Surpreendida pelo número de espectadores, confessou que "não esperava tanta gente". Entre dois públicos, um próximo e um distante, a cantora manifestou que gostava que todos tivessem junto ao palco.
Mayra Andrade, que trouxe até ao Casino a sua tourneé "Storia, Storia", foi crescendo e cativando o público gradualmente. "Comme s'il en pleuvait", tema do seu álbum anterior, "Navega", foi o tema que "acordou" o público, que ansiava manifestar-se. Acordado, o público esperava que o ritmo continuasse a acelerar. No entanto, o alinhamento da noite era outro e jogava com um "aquece e arrefece". Sempre elegante, com uma voz rouca que variava com doçura, a jovem diva cabo-verdiana seguiu o espectáculo com a morna "Lembránsa".
Seduzido pela voz da cantora, o público mostrou-se conhecedor das suas canções e com ela cantou Nha Damáxa. A partir daqui a artista foi puxando mais pelo público de trás, que mostrou-se receptivo cantando com ela, batendo palmas e dançando.
Mais à vontade e próxima do público, Mayra, com alma na voz, resolve partilhar "Seu", que segundo a mesma, fala d'uma luz que a guia e mostra quem ela é.

"TunuKa", tema do seu álbum anterior, marcou outro ponto alto do concerto. Com o apoio da sua banda majestosa, que deu ênfase à sua "perfomance", Mayra Andrade pôs novamente o público que estava em pé, a cantar e a dançar, enquanto o sentado batia palmas.
"Palavra", do compositor Mário Lúcio Souza, enalteceu a voz grave, jazzística, quente e aveludada de Mayra. Elegante nos gestos, sempre doce, mas segura quanto a voz, ela mistura ritmos latino-americanos, como o Jazz, o samba ou a bossanova, com cabo-verdianos como a Mazurka, a Bandeira ou a Coladera.
O melhor da noite terá sido mesmo a voz de Mayra Andrade que espalhou magia e encantou o público do Estoril. O pior foi a qualidade de som, que não preencheu o espaço todo. Quem estava longe do palco ouvia Mayra entre “burburilhos” e ruídos. Esta situação poderia levar à dispersão do público, não fosse a plateia render-se à voz e encanto natural de Mayra, procurando no meio do ruído ouvi-la.
O concerto realizou-se quinta-feira passada, dia 29 de Julho. O próximo está agendado para o dia 21 de Agosto em França.
AO
SAPO MZ
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