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PT/Vivo: Os resultados estão à vista, valeu a pena usar a golden share - Sócrates

28 de Julho de 2010, 18:57

 O primeiro ministro português afirmou hoje que “valeu a pena” a utilização da ‘golden share’ para travar a primeira tentativa de compra da Vivo pela Telefónica, dizendo que assim a Portugal Telecom (PT) recebeu mais e continua no Brasil.

    José Sócrates falava aos jornalistas, após a PT ter chegado a acordo com a Telefónica para a venda da Vivo e de ter anunciado a sua entrada no capital da brasileira “Oi”.

    “Se o Governo não tivesse utilizado a ‘golden share’, isso significaria que a PT teria vendido a Vivo sem nenhuma alternativa no Brasil e por 7,150 biliões de euros. Aqui chegados, podemos concluir que a venda por 7,5 biliões da Vivo, mais a certeza de um investimento da PT no maior operador de telecomunicações brasileiro, demonstram que o uso da ‘golden share’ valeu a pena, sobretudo na defesa dos interesses estratégicos da economia portuguesa”, sustentou o primeiro ministro.

    Numa referência às reações que se seguiram à utilização da ‘golden share’ por parte do Governo português, Sócrates disse ter concluído que “valeu a pena ter resistido às pressões dos mercados financeiros, dos interesses mais imediatistas, daqueles que ameaçavam com processo judiciais e daqueles que achavam que se devia fazer um negócio que limitaria a PT na sua ambição universal”.

    “A defesa intransigente dos interesses estratégicos foi absolutamente essencial para que a PT fizesse um acordo excelente”, frisou.

    Para José Sócrates, se a PT tivesse vendido a sua posição na Vivo na sequência da oferta da Telefónica, “teria sido uma aventura muito perigosa” para a empresa portuguesa “e para o setor das telecomunicações nacional”.
    “O resultado está à vista, porque foi melhor para a PT, para os acionistas e para os interesses estratégicos portugueses. Foi uma vitória da economia portuguesa e da PT”, considerou.

    Neste contexto, José Sócrates deixou também uma farpa indireta destinada ao PSD, partido que se opôs à utilização da ‘golden share’ por parte do Estado Português.

    “Todos aqueles que puseram em causa a utilização da ‘golden share’, alguns por puro preconceito ideológico, não tinham razão”, acentuou.

    Na sua declaração inicial, o primeiro ministro fez também um elogio ao conselho de administração da PT, em especial a Henrique Granadeiro e Zeinal Bava.

    “Este período de tempo que a ‘golden share’ permitiu que a administração da PT tivesse para fazer estas negociações foi bem aproveitado pela administração, que conseguiu duas coisas absolutamente essenciais: assegurou uma alternativa de presença da PT no mercado brasileiro; e uma aliança estratégica que visa a América Latina, África, a economia global e a afirmação de uma empresa nesse mercado global”, apontou o primeiro ministro.

    O acordo alcançado, ainda segundo Sócrates, “permitiu melhorar a oferta [da Telefónica] pela [compra] da Vivo, de 7,150 biliões de euros para 7,5 biliões de euros – um preço que muitos analistas consideravam impossível e que os principais acionistas na Assembleia Geral da PT estariam disponíveis para vender por um preço mais baixo”, observou.



    *** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

    Lusa

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