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Sérgio Vieira lança “testemunho”

10 de Março de 2010, 08:10

Foi lançado esta segunda-feira, dia 8, ao final da tarde, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, o livro “Participei, por isso Testemunho” da autoria de Sérgio Vieira. A obra, composta por 750 páginas, possui a singularidade de ter dois prefácios, um de Luís Bernardo Honwana e outro do português e amigo do autor António Almeida Santos que residiu em Moçambique quase 20 anos no período anterior à independência.

Aliás coube ao primeiro apresentar a obra. “Por este livro desfilam inúmeros dossiers insuficientemente conhecidos ou nunca publicamente discutidos entre nós. Desde a incidência do conflito sino-soviético e as suas implicações nos movimentos de libertação, passando pelas redes de solidariedade com os movimentos de libertação nos países ocidentais, pelo nó górdio, pela abertura de frente de Tete, pelos contactos pré-negociais de Lusaca, pelas hesitações soviéticas no apoio à Frelimo, pelas agressões de Ian Smith e da África do Sul, pelo envolvimento das potências ocidentais até ao isolamento do país”, referiu o antigo ministro da Cultura. Para depois acrescentar: “Tudo isto num relato vivo, salpicado de humor e com muitas hipérboles como é seu apanágio.” Mais adiante prosseguiu: “O debate é preciso. O debate académico, o debate nas esplanadas, o debate nos chapas, o debate nos convívios, o debate nas televisões.” No final deixou um apelo aos jornalistas: “Não cedam à tendência de afunilar estas setecentas e tal páginas de importante informação a duas ou três questões que sempre lhes ocorre perguntar tratando-se de Sérgio Vieira. Que se faça um debate sério, sem sensacionalismo, nos jornais e não um debate dos jornais.”

Depois o autor, Sérgio Vieira, pegou na palavra para exortar os seus companheiros de luta a escreverem as suas memórias. Mais adiante, justificou a escolha do dia. “Escolhi o 8 de Março não só por ser o Dia Internacional da Mulher mas também porque foi neste dia que o presidente Samora disse: - A Pátria chama por vós. Não são só os da geração 25 de Setembro que devem escrever, mas também aqueles que já se tornaram a coluna vertebral deste país e que hoje estão no Governo nas empresas, em tantos sítios. Que tragam as memórias do que fizeram. Fizeram a batalha da educação, da justiça, das FA, esta é a Geração do 8 de Março que tem também de tomar a palavra. Há pouco o presidente Guebuza falou de viragem. A viragem é hoje feita por aqueles que nasceram depois da independência e que hoje têm 35 anos e que irão suceder aos do 8 de Março. A terminar disse: “Não escrevi uma bíblia. Não escrevi a verdade absoluta. Não escrevi para encerrar um debate. É preciso que muitos mais escrevam.”

Recorde-se que Sérgio Vieira foi membro fundador da Frelimo e após a independência do país, em 1975, ocupou diversas pastas ministeriais como a da Agricultura e da Segurança tendo sido ainda vice-ministro da Defesa, Governador da Província do Niassa, Governador do Banco de Moçambique e Deputado à Assembleia da República. Presentemente é director-geral do Gabinete do Plano de Desenvolvimento do Vale do Zambeze.
 
Cristóvão Araújo
 

SAPO MZ

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