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História da Polana-Caniço A

19 de Outubro de 2009, 12:07

De um lado o vestígio do caniço do outro as mansões Crescimento da cidade de cimento é um facto. A construção de novas habitações entre simples vivendas e mansões luxuosas,  atrai os olhos de qualquer transeunte que se faça à Avenida Jullius Nyerere, concretamente na zona do troço interrompido pelas enxurradas do ano 2000.

Parte da zona que ostenta o nome de Polana-Caniço A de caniço nada tem, senão o nome. Contudo, há um segmento da população que não vê com bons olhos aquele ritmo de crescimento.

Esse é constituído pelos moradores e proprietários das casas de construção precária que fazem já um casamento pouco comum entre a pobreza e a prosperidade. Por não haver condições para convivência sã entre as duas realidades, isso inquieta os moradores da zona de caniço que já se sentem socialmente diminuídos. A vontade de abandonar a zona já é equacionada por alguns. Os mais radicais e conservadores sonham com o fim dos seus dias naquela área residencial, ainda que o rumo das coisas tenda a ditar o contrário.

O facto não é para menos: as novas construções já destoam com tudo o resto e os mais fortes economicamente não param de aliciar os infortunados mais renitentes. As ofertas, segundo nos foi dito, são de valores monetários tentadores. Mas, nalguns casos, ainda vence a resistência e o conservadorismo. Sobre a duração dessa resistência somente o tempo dirá.

Contudo, numa parcela do bairro, paira o receio, pois nada se definiu ainda sobre o futuro dos moradores, uns mais esclarecidos que outros, sobre os planos urbanísticos, bem como sobre o real proprietário da área que ocupam.

Anabela Gaspar é uma jovem residente no bairro da Polana-Caniço A. Conta que os seus pais foram lá parar há 20 anos, evacuados de um dos edifícios da baixa da cidade de Maputo que na altura precisava de reforma. De lá para cá foram melhorando a casa evolutiva que lhes fora atribuída pelo Estado, tendo a tornado mais confortável tendo em conta as suas posses.

Conta que de facto a zona está cada vez mais valorizada. “O desenvolvimento é um facto mas a nós está a ser difícil abandonar a zona”, reconhece a nossa interlocutora. Deixa-me confessar que os valores são tentadores mas nós ao recusarmos a proposta olhamos para o tempo em que aqui vivemos, as condições que a zona oferece, a segurança, o acesso facilitado a muitos serviços como transporte, hospital, não porque estejamos contra o desenvolvimento”, disse.

“Nós estamos de facto numa ilha. Posso dizer que neste corredor todo já recebemos propostas de valores monetários para cedermos o espaço à pessoas com interesses na zona, mas ninguém até agora aceitou sair”, disse uma jovem que falou sob o anonimato.

Sorte igual já não têm os proprietários de residências precárias próximo da Escola Portuguesa. É que eles vivem actualmente num misto de incerteza e evocar resistência e ou outros motivos está fora de hipótese. O espaço por eles ocupado não oferece segurança, pois avançaram alguns interlocutores contactados pelo “Notícias” aquele lugar é uma reserva.

“Primeiro porque fomos advertidos a não construir casas convencionais. Uns fazem  à força e não sabemos o que vai acontecer, porque há informação contraditória. “Outros vizinhos receberam pré-aviso, outros têm propostas de indemnização mas pelo Estado através de pessoas interessadas no espaço. Ninguém sabe ao certo o que está a acontecer ”, disse Alberto Mário.


Jornal Notícias

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