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MDM FRUTO DA “REVOLUCAO DE 28 DE AGOSTO”

06 de Março de 2009, 18:33

Por Elias Samo Gudo, da AIM, na cidade da Beira


Beira, 06 Mar (AIM) – Um grupo de dissidentes da Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, e alguns membros da sociedade civil lançam, esta sexta-feira, uma nova formação política designada por Movimento Democrático de Moçambique (MDM), como resultado daquilo que designam por “Revolução de 28 de Agosto de 2008”.

Segundo o porta-voz do evento, Geraldo Carvalho, 28 de Agosto é a data em que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, decidiu retirar a candidatura do então edil da Beira, Daviz Simango, a favor de Manuel Pereira.

“Portanto, como vocês viveram de perto houve um repúdio total, uma revolução durante a qual, pela primeira vez, as bases da Renamo desobedeceram a liderança da Renamo, desde aquele dia para sempre. Por isso nós chamamos de Revolução de 28de Agosto”, explicou Carvalho.

Para o efeito, a nova formação política realiza a sua Assembleia Constitutiva, um evento que marca a constituição formal do MDM, entre os dias 6 e 7 do corrente mês na cidade da Beira, capital provincial de Sofala, no centro do país.

Durante o evento, possivelmente, ainda nesta sexta-feira, deverá ser anunciada a liderança do novo partido.

A cerimónia teve início cerca das 9.30 horas, no anfiteatro da Faculdade de Medicina da Universidade Católica.

Participam no evento um total de 375 delegados dos 128 distritos existentes em Moçambique, tendo contribuído cada distrito com um número que varia de um a três delegados.

Segundo o porta-voz do evento, foram também convidados os seus representantes vizinho Zimbabwe e Africa do Sul.

Participam ainda no evento cerca de 120 convidados, entre nacionais e estrangeiros, incluindo um representante da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique (LDH), do Partido Social Democrata de Portugal, e representantes do corpo diplomático acreditados em Moçambique.

Segundo Carvalho, prevê-se a chegada, ainda durante esta sexta-feira, de um representante do Movimento para Mudança Democrática (MDC), maior partido da oposição, zimbabweana, actualmente liderado pelo recém-nomeado primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai.

Entre os presentes, destacam-se vários membros da Renamo em todo o país, incluindo Ismael Mussá, deputado da Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, bem como de Carlos Jeque, candidato presidencial independente nas primeiras eleições multipartidárias de 1994.

Falando no seu discurso de abertura, o Dr. Eduardo Elias, chefe da Comissão de Preparação desta Assembleia Constitutiva do MDM, explicou que a escolha da Beira para a realização deste evento deve-se ao facto de esta cidade estar situada num dos pontos mais acessíveis do país, em termos de distância a percorrer pelos delegados vindos de todas as províncias. Também serve de uma homenagem aos compatriotas da “Revolução de 28 de Agosto de 2008”.

Elias, proeminente jurista, foi deputado da Assembleia da República entre 1999 e 2004, pela bancada parlamentar da Renamo-União Eleitoral.

Na ocasião, Elias explicou que o MDM surgiu e cresceu sem recursos financeiros e logísticos, estrutura e organização formalmente constituídas, sendo a sua esperança a determinação em contribuir para a defesa de uma democracia verdadeiramente pluralista e participativa.

Durante o evento, os participantes vão discutir e debater estratégias para a busca de um espaço político, aproveitar as vantagens comparativas, e visão orientadora para que, efectivamente, o povo moçambicano avance rumo a um desenvolvimento inclusivo.

“Só o tempo dirá se este encontro ficará recordado na história como o início de uma nova etapa na jovem democracia multipartidária moçambicana, e cabe a nós esta responsabilidade colectiva”.

Por isso, disse Elias, o MDM deve avaliar atentamente a situação politica, social e económica do país, com realismo, honestidade e muita frontalidade.

“Precisamos de uma oposição forte, com sentido de Nação e capacidade de monitoria efectiva e que responsabilize a quem governa, para prestar conta a sociedade Moçambicana”, disse Elias, para de seguida acrescentar “não podemos ficar passivos e a assistir, sem nada fazer, para defender as liberdades que conquistamos. É porque o perigo de regresso a mono partidarização é real e fatal para a democracia, que surge uma nova força poíitica em Moçambique, o MDM”.

Falando a imprensa a margem do encontro, Carvalho explicou que, após a “Revolução de 28 de Agosto”, Daviz Simango foi pressionado pela população a candidatar-se como independente.

“Depois da sua vitória, muita gente convenceu-o a avançar e formar um movimento político. Inicialmente, foi apenas uma sugestão que a nossa equipe de trabalho, que tem vindo a trabalhar com Daviz Simango, analisou até que se apercebeu que a mesma afinal era de dimensão nacional”.

Foi na sequência desta conclusão, que a equipe de Daviz Simango decidiu avançar para os distritos e localidades, onde trabalharam durante cerca de três semanas para auscultar a vontade do povo.

“No fim desse levantamento apuramos que havia, de facto, uma grande vontade de avançar com a formação de um movimento liderado e inspirado por Daviz Simango”, disse Carvalho.

Prosseguindo, Carvalho explicou que se seguiu um processo de recolha de assinaturas de intenção, daqueles que acreditam que Daviz Simango deveria avançar com a formação de um movimento, tendo angariado em menos de 21 dias cerca de 279.000 assinaturas. Isso foi encorajador porque mesmo nas zonas mais recônditas a população estava a par daquilo que estava a acontecer.

“Efectivamente, toda a gente via em Daviz Simango uma alternativa de governação. Assim, decidimos sentar e convencer Daviz Simango em avançar com um movimento”.

Todo este processo foi feito de uma forma muito minuciosa, incluindo todos os pormenores jurídicos sobre as suas implicações na governação no município da Beira caso Daviz Simango seja eleito líder do movimento.

Actualmente, segundo Carvalho, o MDM constatou que as massas querem que Daviz Simango avance como seu candidato para as presidenciais do corrente ano e que esta nova formação política concorra nas eleições provinciais e legislativas.

Foi neste âmbito que o MDM decidiu lançar o seu projecto de estatutos e programas nas localidades e distritos para sua discussão.

Concluído esse processo, a presente Assembleia vai aquilo que já foi estudado a nível dos distritos das localidades e das cidades.

Questionado sobre o custo da realização do evento, Carvalho disse que o mesmo foi suportado com as contribuições e quotas dos membros e voluntários e do empresariado nacional, tendo conseguido arrecadar mais de um milhão de meticais (cerca de 40.000 dólares).

Sobre o número de membros, Carvalho disse não ser uma questão pertinente, antes é necessário formalizar a existência do partido.

“Por isso, agora vamos institucionalizar o movimento e depois avançar com as inscrições para os membros”, disse o porta-voz.

Não posso confirmar se o MDM vai concorrer para as presidenciais e legislativas porque é esta a assembleia que vai deliberar se existem condições para avançarmos e como avançarmos, rematou Carvalho.
(AIM)
SG/DT

(AIM)

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