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RDC: ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AGENDADAS PARA 2019

12-10-2017 18:02:10


Kinshasa, 13 Out (AIM) - A Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) da República Democrática do Congo (RDC) afirma que as eleições presidenciais não poderão ocorrer antes de Abril de 2019, devido a problemas logísticos para a realização do recenseamento eleitoral.

A oposição adverte que esta decisão poderá levar a população “a tratar do assunto com as suas próprias mãos”.

O calendário delineado pela comissão eleitoral viola um acordo alcançado entre os apoiantes do Presidente Joseph Kabila e seus oponentes, que previa a realização de eleições antes do fim do corrente ano.

Dezenas de pessoas foram mortas, no ano passado, em protestos contra a recusa de Kabila de renunciar ao poder no fim do seu mandato em 2016. Extensas regiões do país estão sob o controlo de grupos rebeldes que se recusam a depor as suas armas enquanto Kabila permanecer no poder.

A CENI revelou que precisa de pelo menos 504 dias para organizar o processo.

“O que a CENI anunciou não é um calendário eleitoral, mas uma agenda para marcar eleições', disse o líder da oposição, Claudel Lubaya, acrescentando que agora cabe a população decidir sobre o rumo dos acontecimentos.

A oposição acredita que os adiamentos sucessivos para a realização das eleições presidências visam dar tempo a Kabila para encontrar uma fórmula de mudar a Constituição e revogar o número de mandatos, a semelhança do Ruanda e República do Congo.

Kabila, que assumiu o poder depois do assassinato do seu pai, Laurent Kabila, em 2001, nega as alegações e diz que os atrasos resultam da dificuldade de recensear milhões de eleitores e escassez de fundos para realizar o escrutínio

O chefe da missão de paz das Nações Unidas na RDC, Maman Sidikou, corrobora com as declarações da CENI no que concerne a dificuldades de financiamento. Segundo Sidikou, os doadores contribuíram apenas com seis por cento dos 123 milhões de dólares necessários para a realização de eleições.

A RDC nunca experimentou uma transição pacífica de poder e a insistência de Kabila de se manter na presidência ameaça desencadear um novo ciclo de violência.

Aliás, milhões de pessoas morreram durante a guerra civil entre 1996 e 2003, vítimas da fome e doenças.
(AIM)
AFRICA NEWS/ JD

(AIM)

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