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CHINA APELA À CONTENÇÃO NA ESCALADA RETÓRICA NA CRISE DA PENINSULA COREANA

12-08-2017 23:55:50


Beijing, China, 12 Ago (AIM)- O Presidente chinês, Xi Jinping, apelou este fim de semana à contenção das partes envolvidas na escalada retórica na crise da peninsula coreana, sublinhando o interesse da China na manutenção da paz e estabilidade na região.

“Neste momento, as partes relevantes devem conter-se e evitar palavras ou actos que possam exacerbar a tensão na península coreana”, estas foram as palavras de Xi Jinping relatadas pela agência chinesa Xinhua e outros media internacionais. O Presidente chinês falou este sábado com o homólogo norte-americano, Donald Trump, apelando à calma na gestão da crise da Coreia do Norte.

Xi Jinping foi claro ao dizer ao seu homólogo norte-americano que todos os lados devem evitar a retórica ou a acção que possa aumentar a tensão na península coreana. No entanto, ofereceu-se para colaborar com os EUA para resolver o assunto de forma apropriada uma vez que ambos os países têm “interesses comuns em conseguir reduzir o nuclear na península coreana e na manutenção da paz e estabilidade na zona”, escreve a Xinhua, citada pela imprensa lisboeta.

O chefe de Estado norte-americano obrigou a China a pressionar a Coreia do Norte a pôr fim ao seu programa de armas nucleares que está à beira de conseguir atingir território dos Estados Unidos. Depois de ter declarado na terça-feira que os EUA responderiam com “fogo e fúria nunca vista” às ameaças nucleares de Pyongyang, na sexta-feira Trump foi mais longe, transformando a crise numa batalha pessoal entre si e Kim Jong-un.

Trump avisou o líder norte-coreano de que “se arrependeria verdadeiramente” caso viesse a agredir território ou aliados dos EUA. O aviso foi pronunciado horas depois do tweet matinal em que Trump afirmava que as opções militares americanas estavam “prontas a disparar” caso Pyongyang agisse.

Em resposta, a liderança norte-coreana avisou que lançaria quatro mísseis às águas do Pacífico em torno do território norte-americano de Guam, caso os EUA insistissem nas manobras com bombardeiros de longo alcance estacionados na base militar naquela ilha.

A reacção internacional a este tweet não se fez esperar: “Uma escalada da retórica é a resposta errada”, declarou a chanceler alemã, Angela Merkel. Trump não esperou para responder que Merkel “se estaria a referir à Alemanha”, “ela que fale pela Alemanha, não se está certamente a referir aos EUA, garanto”.

A chanceler alemã opôs-se esta sexta-feira a uma qualquer 'solução militar' na crise com a Coreia do Norte e advertiu para as consequências negativas da actual escalada da retórica entre Pyongyang e os Estados Unidos.

'Não vejo uma solução militar para este conflito. (...) A Alemanha vai participar de maneira intensa nas possíveis soluções não-militares, mas considero que a escalada verbal é uma resposta errada', disse Merkel, em declarações à imprensa em Berlim.

Segundo a Associated Press, e apesar da linguagem usada pelo Presidente, não houve deslocações de tropas americanas na região nem alteração ao estado de alerta das forças americanas. E soube-se na sexta-feira que a administração Trump tinha reaberto um canal de comunicação nas Nações Unidas entre os diplomatas americanos e norte-coreanos.

Um jornal do Partido Comunista chinês foi citado como tendo defendido que Beijing deverá manter-se neutra caso a Coreia do Norte ataque os Estados Unidos da América (EUA), mas intervir se for Washington a iniciar um conflito.

Em editorial, o 'Global Times', jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista da China (PCC), reconhece que a China 'não é capaz de persuadir Washington ou Pyongyang (Coreia do Norte) a retroceder nestes momentos', mas deve responder 'com mão firme', se os seus interesses estratégicos regionais correrem perigo, em caso de conflito.

'A China deve deixar claro que se manterá neutra se a Coreia do Norte lançar mísseis que ameacem o território norte-americano e os EUA responderem', afirmou o jornal.

Caso contrário, a China deve deixar claro 'que impedirá' os EUA e a Coreia do Sul de iniciarem um conflito e tentarem derrubar o regime norte-coreano ou alterar a situação política na península coreana.

Beijing 'resistirá firmemente à tentativa de qualquer grupo de alterar o status quo em áreas onde há interesses chineses', destacou o 'Global Times',
sublinhando que nem Washington nem Pyongyang 'querem realmente uma guerra', mas adverte que a troca de ameaças mútuas pode levar a um conflito estratégico.
(AIM)
DM
(AIM)

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