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PORTUGAL A BRAÇOS COM ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO ACTIVA

12-08-2017 22:03:04


Lisboa, 12 Ago (AIM)- O retrato da evolução da força de trabalho em Portugal nos últimos seis anos aponta que há menos pessoas e mais velhas, concluindo que o país perdeu cerca de 354 mil trabalhadores nesse período.

Os dados são claros. Apesar de a recuperação no último ano — mais 59,9 mil pessoas entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) — atingindo os 5,2218 milhões de indivíduos, a população activa em Portugal continua abaixo do patamar de 2014 (menos 21,7 mil pessoas), avança o jornal 'Expresso'.

Mais ainda, segundo a mesma fonte, entre o segundo trimestre de 2011 (ano em que começa a actual série do INE) e a mesma altura de 2017, a população activa (que contabiliza os trabalhadores no mercado de trabalho, seja como empregados ou desempregados, segundo a definição do INE) encolheu em 236 mil pessoas.

Os números podiam ser ainda mais graves. Mas a recuperação do mercado de trabalho traduziu-se num aumento da população empregada no último ano (mais 157,9 mil pessoas) bem acima da redução da população desempregada (menos 97,9 mil pessoas). O que sinaliza que se foi buscar pessoas à inactividade e à emigração.

Perder 236 mil trabalhadores em seis anos é grave. Mas o problema é ainda maior. Se à população activa somar-se o número de inactivos entre os 15 anos e os 64 anos (que traduz, grosso modo, os inactivos em idade para fazerem parte da força de trabalho), chega-se à população activa potencial. E esta encolheu em 353,8 mil trabalhadores, para 6,9293 milhões (menos 4,8 por cento) nos últimos seis anos.

O envelhecimento populacional é estrutural na redução da população activa. “A cada ano que passa há menos gente a entrar no mercado de trabalho”, alerta Francisco Madelino, professor do ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) e ex-presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Há pouco mais de uma década “entravam por ano cerca de 130 mil jovens no mercado de trabalho em Portugal. Agora, são cerca de 80 mil”, concretiza Francisco Madelino. Isto significa que, à medida que os trabalhadores mais velhos se vão reformando, não há substituição de gerações.

E é um factor que se está a agravar. No segundo trimestre de 2011, 58,4 por cento da população activa tinha entre 15 anos e 44 anos. Em 2017, este valor caiu para 53,8 por cento. São menos 4,6 pontos percentuais.

Em sentido inverso, a proporção de trabalhadores com idades a partir dos 45 anos aumentou de 41,6 por cento, para 46,2 por cento. Mais ainda, os trabalhadores com 55 anos e mais passaram de 18,4 por cento do total, para 21,1 por cento.

A crise económica grave, que marcou os anos do resgate a Portugal (2011 a 2014), acentuou o problema. O desemprego disparou, levando muitos jovens a emigrar e muitos desempregados a desistir de procurar um posto de trabalho, deixando de contar para os números do desemprego e também da população activa.

Sinal disso, a população inactiva entre os 15 anos e os 64 anos (que traduz, grosso modo, os inactivos em idade para fazerem parte da força de trabalho) aumentou entre 2011 e 2013, atingindo um pico de 1,8757 milhões de pessoas no primeiro trimestre desse ano, altura em que a economia portuguesa bateu no fundo. Mas desde então esta população tem estado em queda.

No último ano (entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017), encolheu em 74,8 mil pessoas, e, nos últimos dois anos, em 95,3 mil pessoas. A redução entre 2011 e 2017 atingiu 117,5 mil pessoas.

Tudo somado, a população aciva potencial diminuiu 14,9 mil pessoas no espaço de um ano, 74,7 mil pessoas em dois anos e 353,8 mil pessoas entre o segundo trimestre de 2011 e o mesmo período de 2017.

Isto significa que mesmo que aumente a taxa de actividade da população em idade activa (15 anos e mais), que está nos 59 por cento — um cenário plausível, já que nas mulheres (54,1 por cento) ainda é muito inferior aos homens (64,6 por cento) — será muito difícil a recuperação da população activa para os níveis de 2011.

“Será muito difícil a população activa regressar ao patamar de antes da crise”, alerta João Cerejeira, professor da Universidade do Minho. Mesmo com a recuperação da economia, “o saldo migratório, deixando de ser negativo, deve tender para nulo. Num contexto em que a evolução demográfica natural não ajuda — as camadas jovens não são suficientes para substituir os que se vão reformando — o crescimento da população activa vai estar limitado”, remata João Cerejeira.

O número de habitantes em Portugal desceu em 2016 relativamente a 2015, com menos 31.757 pessoas, mantendo-se a tendência de decréscimo da população, embora se tenha atenuado nos últimos três anos.

Segundo dados divulgados em Junho deste ano (2017) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de Dezembro do ano passado (2016), a população residente em Portugal foi estimada em 10.309.573 pessoas, menos 31.757 na comparação com 2015.

Este resultado traduziu-se numa taxa de crescimento negativa de 0,31 por cento e reflecte a conjugação dos saldos natural e migratório negativos.
(AIM)
DM

(AIM)

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