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FRACA ASSIDUIDADE DOS PROFESSORES COMPROMETE QUALIDADE

10-05-2017 16:35:46


Maputo, 10 de Mai (AIM) – A falta de assiduidade dos professores nas escolas e os elevados índices de absentismo dos alunos do ensino primário, com maior incidência nas zonas rurais, estão a comprometer em grande medida, a qualidade do ensino e aprendizagem no país.

A constatação foi apresentada pela directora nacional do Ensino Secundário no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), Samaria Tovela, no seminário internacional da participação da comunidade na gestão escolar a acontecer em Maputo.

No encontro de um dia, sob o lema ““Por uma Gestão Escolar Mais Participativa e Inclusiva”, Tovela disse que a falta de aplicação das medidas correctivas aos professores faltosos, nos distritos, e a falta de controlo da assiduidade estão entre os factores que ditam o fraco aproveitamento escolar.

A solução do problema, segundo a fonte, passa pela aplicação das normas administrativas, desde os descontos salariais assim como a expulsão, do Aparelho do Estado, dos professores que não cumprem com zelo o seu papel.

“O que nós percebemos é que infelizmente não são aplicadas medidas administrativas. O professor falta e pode se marcar a falta mas não se desconta o seu salário. E assim volta a faltar”, lamentou a fonte, apontando que à luz da norma ao faltar mais de 30 dias sem as justificar o visado deve ser expulso do Aparelho do Estado.

Quando ao absentismo dos alunos nas escolas, a fonte atribui a culpa aos pais e encarregados de educação que não olham à escola como uma prioridade para os seus educandos.

“O absentismo resulta do facto de os pais não entenderem o significado de as crianças irem a escola. Se o próprio encarregado não vê o estar na escola como algo importante, é evidente que a criança não vai se preocupar”, explicou a directora.

Para se ultrapassar o problema, a fonte assegurou que decorrem nas províncias, capacitações dos órgãos de gestão dos conselhos de escolas que trabalham com as comunidades.

A directora executiva do Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), Paula Monjane, disse que um estudo do CESC constatou que o absentismo dos alunos, nas zonas rurais, está ligado a aspectos culturais, como é o caso dos ritos de iniciação, onde as crianças são obrigadas a interromper as aulas para atender as obrigações.

Segundo Monjane, um grande universo de crianças abandonam as escolas para se dedicar a trabalhos domésticos.

“As causas são aspectos culturais ou porque os pais e encarregados de educação priorizam trabalhos domésticos como as machambas”, disse a directora, anotando que o absentismo dos professores é também alto e as competências dos alunos são baixas.

O relatório do CESC publicado no seminário, que relaciona a participação da comunidade a gestão escolar e os resultados, mostra que os estabelecimentos de ensino onde existe uma participação da comunidade há maior gestão que se traduz nas óptimas condições de ensino e aprendizagem.

Para além dos quadros do MINEDH, o evento contou com a participação de gestores escolares, membros da sociedade civil, parceiros de cooperação.
(AIM)
Timóteo Timbe (TT)/le

(AIM)

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