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FRANÇA / ATAQUE TERRORISTA ABALA PARIS

21-04-2017 17:00:52


Paris, 21 Abr (AIM) – No pânico que se seguiu aos sons de metralhadora no famoso Campos Elísios quinta-feira, em Paris, turistas e residentes locais fugiam para todo o lado, procurando refúgio onde pudessem, na esperança de não serem atingidos pelas balas.

“As pessoas corriam, atropelando-se umas às outras e derrubando mesas e outros objectos”, disse uma mulher, de 39 anos de idade, que tinha estado a jantar num restaurante naquela avenida, cheia de visitantes.

No fim, o atacante, que abriu fogo com uma arma automática, matou um agente da polícia e feriu outros dois, um deles gravemente. Um turista estrangeiro foi atingido num joelho por estilhaços.

O homem armado foi morto a tiro pela polícia quando tentava fugir a pé, disse à AFP uma fonte policial.

Ninguém entendia o que se estava a passar, “principalmente os turistas estrangeiros,” disse a mulher, que falou na condição de anonimato.

“Os serventes de mesa disseram-nos para sairmos pelas traseiras do restaurante, mas não havia saída, e tivemos que nos esconder num jardim nas traseiras,” disse ela, enquanto se aproximavam dezenas de luzes de carros de emergência.

Os dois quilómetros que ligam o Arco do Triunfo e a Praça da Concórdia estão alinhados com residências luxuosas, lojas de luxo e teatros.

Nos momentos que se seguiram ao ataque, que foi reivindicado pelos jihadistas do Estado Islâmico, e que aconteceu três dias antes da primeira volta das eleições presidenciais na França, as pessoas refugiavam-se onde podiam.

Alguns refugiaram-se em restaurantes ou lojas, outros correram para o interior de cinemas.

“Ouvi tiros e fui ver o que era. Vi dois corpos no chão e pessoas que gritavam, a correr para todos os lados,” disse Mehdi, um consultor de comunicações. “ Fiquei com medo. Fugi. Nem sequer paguei a conta!”

Ainda não é claro o impacto do ataque no resultado das mais imprevisíveis eleições nas últimas décadas, mas a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o conservador François Fillon, imediatamente cancelaram a sua campanha de sexta-feira.

A explosão de violência e a acção da polícia deixou os visitantes confusos, e tristes pela nova realidade de ataques terroristas na capital francesa.

Ataques por jihadistas mataram mais de 230 pessoas na França desde 2015, com muitas das vítimas sendo pessoas que tinha saído para espairecer durante a tarde.

Isabel, uma turista australiana, de 34 anos, foi incapaz de chegar ao seu hotel, impedida pelas linhas da polícia. “Eu só quero ir para casa,” disse.

As investigações estão agora centradas na identidade do atacante.

O Estado Islâmico já o reivindicou como um dos seus membros, que usa o seu pseudónimo militar, mas o homem, de 39 anos, já era conhecido pela polícia francesa sob um outro nome e estava a ser seguido de perto.

“A identidade do atacante é conhecida, foi verificada. Eu não a vou revelar a vocês uma vez que as investigações estão ainda em curso para determinar se ele tinha ou não cúmplices,” disse o procurador de Paris, François Molins.

A polícia está a revistar a residência do atacante em Chelles, um bairro a leste de Paris, de onde ele levou o seu próprio carro, e uma arma de fogo usados no ataque.

“Solitário. Muito solitário. Talvez (ele sofra de) esquizofrenia, não sei. Mas de qualquer modo, o indivíduo era muito solitário e tratava as pessoas com respeito. Para fazer isto significa que perdeu o juízo,” disse um dos vizinhos.

O canal de televisão France 2 reportou que ele tinha recentemente sido posto em liberdade por falta de provas depois de ser suspeito de tentar comprar armas de fogo.
(AIM)
Afp/bm/sg


(AIM)

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