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DIVULGAÇÃO DE RELATÓRIO "COMPROMETEDOR" LEVANTA ACESA DISCUSSÃO NOS EUA

11-01-2017 15:20:01


A discussão é tão acesa ao ponto de se questionar: Publicar ou não publicar? – questão sobre a qual alguns meios de comunicação social norte-americanos agora se debruçam, avança o diário luso 'Público'.

Apenas uma hora depois de a CNN ter noticiado que os serviços secretos dos Estados Unidos entregaram a Donald Trump e Barack Obama, na passada semana, um relatório que denunciava que a Rússia teria informações pessoais e comprometedoras sobre o Presidente eleito dos EUA, mas cujo conteúdo não divulgou, o site noticioso BuzzFeed publicou o documento na íntegra.

A questão é que tanto a CNN, como depois o The Guardian, tinham tido o cuidado de não entrar em pormenores sobre o conteúdo e de realçar que os relatos russos continham informação que não era possível confirmar - até mesmo o FBI (Bureau de Informação Federal) estava ainda a tentar apurar a sua credibilidade. As informações teriam sido compiladas por um antigo operacional de informação britânico que cooperava com as agências norte-americanas e, apesar das dúvidas, os serviços secretos decidiram incluí-las no relatório para Trump e Obama, de forma a que o Presidente eleito estivesse a par dos riscos de uma possível divulgação comprometedora por parte de Moscovo.

Quando decidiu tornar público o documento, o BuzzFeed fez a mesma ressalva sobre as dúvidas acerca da informação - 'as alegações não são verificadas e o relatório contém erros', avisou, numa nota que acompanha as 35 páginas -, mas ainda assim colocou-o no seu site. 'Publicamos o documento completo para que os americanos possam decidir por si sobre as alegações acerca do Presidente eleito que circularam ao mais alto nível do Governo dos EUA.'

E nas horas seguintes, nas suas caixas de comentários e também nas dos meios de comunicação social que noticiaram a existência do relatório sobre a informação russa, iniciou-se um debate sobre essa divulgação quando há sérias dúvidas sobre a veracidade dos dados e até os serviços secretos admitem não conseguir confirmá-los.

E tornou-se de tal forma intenso que horas depois o director do BuzzFeed se sentiu obrigado a vir a público explicar-se. “Publicar este documento não foi uma decisão simples, e as pessoas de boa vontade podem até discordar da nossa escolha. Mas publicar este dossier reflecte o modo como vemos o trabalho dos repórteres em 2017”, argumentou Ben Smith, que insistiu haver “sérias razões para duvidar das alegações” constantes no relatório.

“Até mesmo Donald Trump merece justiça jornalística”, escreveu no Twitter o jornalista David Corn, que em Outubro noticiou a existência de relatórios (mas não o conteúdo) que indicavam a “ajuda” russa à campanha de Trump. “Não é assim que o jornalismo funciona: ‘Aqui está uma coisa que pode ou não ser verdade, sem provas evidentes; decida por si se é legítimo’”, reagiu Brad Heath, repórter de investigação do USA Today.

O director-executivo do The New York Times, Dean Baquet, contou que o jornal não publicou o documento por este conter dados “absolutamente não comprovados”. “Nós, como os outros media, investigámos as alegações e não as conseguimos comprovar. Não estamos no negócio de publicar coisas cuja veracidade não conseguimos sustentar.”

“É raro que uma história cheire mal de todos os ângulos possíveis: a fonte, o conteúdo, as consequências, o mensageiro, o alvo”, escreveu no Twitter, por seu turno, o director da Condé Nast International, Wolfgang Blau, também um ex-Guardian.

Mas houve também aplausos: o presidente da ProPublica, uma redacção independente de jornalistas de investigação, Richard Tofel, apoiou a decisão do BuzzFeed, afirmando que os cidadãos “devem ter provas para julgarem por si”. E o blogue LawFare, que diz ter tido os documentos e preferiu não divulgar, mas defendeu que as alegações, embora por provar, devem ser levadas a sério pois a atitude negacionista de Trump sobre a “mão” russa no processo eleitoral começa a levantar suspeitas e são já demasiadas as referências a possíveis intervenções do país liderado por
Vladimir Vladimirovitch Putin.
(AIM)
DM 

(AIM)

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